Cap 5 - Característisca dos Batistas

V. Os Batistas reconhecem diretos iguais entre todos os membros na igreja

Consistência entre doutrinas é um alvo para todos os crentes sérios. Ter concordância entre todos os ensinamentos das Sagradas Escrituras é uma tarefa difícil e desafiadora. Talvez a única tarefa mais difícil de formar consistência entre todas as doutrinas da Palavra de Deus, é ter correlação entre a crença da Palavra de Deus e a sua prática na vida. Apesar da dificuldade, a prática das doutrinas é a única maneira de ter uma vida cristã sólida (Mat. 7:24-27) e uma que agrade nosso Deus (João 4:24). O aluno das Escrituras que não se envergonha é aquele que maneja bem a palavra da verdade (II Tim 2:15). Isso quer dizer ter um equilíbrio tanto na crença quanto na prática.

O assunto, tratado nesta distintiva, é o tipo de governo que existia na igreja do Novo Testamento e que ainda existe nas igrejas novas testamentárias. A consistência entre crença e prática pode ser percebida logo. Se cremos que Cristo é o cabeça da igreja (Efés 1:22; 4;15; 5:23; Col 1:18), então a prática na igreja deverá ser a de que nenhum homem, ou grupo de homens, tomará o lugar do senhorio.

A. Os Ensinamentos de Cristo

Em Marcos 10:42-45 há um ensinamento dirigido ao assunto do governo da igreja. Tiago e João pediram a Jesus se eles podiam ser considerados grandes no reino futuro, “um à tua direita, e outro à tua esquerda” (v. 37). Isso significaria, nada menos, que ter poder entre os demais (veja a prática no Velho Testamento, I Reis 2:19). A resposta de Jesus a Tiago e João nos ensina sobre a igualdade entre os membros. Jesus ensinou que a igreja deve ser diferente do governo civil onde os grandes usam sua autoridade sobre os outros. Jesus disse que o governo entre os apóstolos “não será assim” (v. 43).

Os membros são servos de Deus: servos em amor. Isso nada mais é do que o nosso culto racional (Rom 12:1). Cada um que é remido quer mostrar a sua gratidão pelo amor. Tanto mais é perdoado quanto mais amor que tem para servir o Salvador (Lucas 7:47). Neste ambiente não há lugar para qualquer um se assenhorear. Se tiver grandeza, que seja em ser um servidor diligente (v. 43-44). Para ter um modelo deste assunto, olhe a Cristo (v. 45).

O relacionamento que existe na igreja é o que existiu entre os apóstolos. Aquele que faz a vontade de Deus é o irmão e a irmã de Cristo. Isso exemplifica o tipo de relacionamento de igualdade que deve haver entre todos na igreja (Mar 3:35).

Em Mateus (23:8-10) há mais ensinamentos de Cristo para este assunto. Nesta passagem Jesus ensina que ninguém é colocado na igreja para ser o “Rabi” ou ‘mestre’ sobre os demais; Cristo somente.

B. O Exemplo dos apóstolos nas primeiras igrejas

Não se acha no Novo Testamento um “Papa” dando ordens aos outros, somente Cristo com a autoridade de Deus. Quando Cristo foi para o céu o trabalho dEle havia terminado (João 17:4; 19:30). A missão da igreja não é a de legislar como Cristo legislou, mas de executar “todas as coisas que Eu vos tenho mandado” (Mat. 28:20). Quer dizer, não há necessidade de alguém tomar o lugar dEle na terra. Cristo ainda é o cabeça da igreja. Os que realmente querem servir Deus devem comprometer-se na obediência da Palavra e não aumentar as Suas leis (Apoc 22:18,19).

Em Atos 1:15-26, Matias foi escolhido para tomar o “bispado” de Judas; essa escolha era pela votação dos membros. Não o vemos sendo apontado para um cargo desta responsabilidade por alguém na igreja - todos os “discípulos” (v. 15) votaram para que Matias o fosse entre os “apóstolos” (v. 26).

Em Atos 6:1-7 a idéia de escolher os diáconos “contentou a toda a multidão” (v.5). Tanto a nomeação dos diáconos quanto a votação era feita pela multidão de discípulos (v. 2,5).

Em Atos 9:26-28, depois da conversão de Paulo, a igreja não quis aceitá-lo no ajuntamento temendo que ele os entregassem às autoridades. Porém, pelo testemunho de Barnabé, que deu credito à salvação e vida espiritual de Paulo, a igreja aceitou-o. Vemos no seu governo que foi a igreja que decidiu os seus assuntos e não uma assembléia de pastores, uma denominação ou federação, etc. A aceitação de candidatos a membros era obra da igreja como um todo e não só de alguns da igreja.

Em I Cor 5 Paulo opinou no caso do pecado grosso que houve na igreja em Corinto. Mas, sendo ele mesmo apóstolo, não tirou pessoalmente ninguém daquela igreja. Contrariamente, ele pediu que a igreja o tirasse (v. 3-5, 12,13). A exclusão de membros é obra da igreja.

C. A diferença entre o relacionamento dos membros e as posições dos mesmos

Já estabelecemos, neste estudo, que os membros têm um relacionamento entre si de irmãos e irmãs (Mar 3:35). Porém, assim como no lar há posições diferentes sem engrandecer um sobre o outro, há na igreja posições que Deus estabeleceu e que são úteis para o bom andamento da mesma (I Cor 12:28).

O propósito de posições diferentes na igreja é “o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” - Deus deu uns para apóstolos e uns para as outras posições na igreja (Efés 4:11-13). Essas posições são dadas por Deus (Efés 4:11, “E ele mesmo deu”; I Cor 12:28, “E a uns pôs Deus na igreja”; Heb 5:4, “ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus”; Atos 13:2, “disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.”).

A responsabilidade destes que Deus coloca na igreja consiste em trabalhar entre os membros, de presidir sobre eles “no Senhor” e admoestá-los (I Tess 5:12) - e isso “com cuidado”(Rom 12:8). O alvo em todo o trabalho dos que têm responsabilidade na igreja é apascentar os membros (Atos 20:28). Este alvo é conseguido pelo ministério da verdade em amor (III João 1-6). Como o pai governa a sua casa, o pastor, (bispo - Atos 20:28; I Tim 3:1,2, presbítero - Tito 1:5), governa na igreja de Deus (I Tim 3:5), e neste sentido, é um chefe (Heb 13:24), um chefe que admoesta em amor.

Os que Deus coloca nessas posições devem ser amados e estimados (I Tess 5:12,13), imitados (Heb 13:7), obedecidos com sujeição (Heb 13:17) e pagos (I Cor 9:13,14; Gal 6:6; I Tim 5:17; Rom 15:27). Todavia, apesar da importância da posição dos que Deus coloca na igreja para o bem desta, estes nunca devem ser adorados (Apoc 19:10; 22:9), feitos o Rabi - Mestre (Mat. 23:8-10), primados (III João 9) ou admirados acima da própria Palavra de Deus (Gal 1:8; Apoc 22:18,19); pois o cabeça da igreja (Cristo) não é substituída pelos “chefes” que Ele mesmo designa, isso em nenhuma instância (Mat. 23:8-12). Continua o fato que, entre os membros, todos têm um voto em comum para exercer nos assuntos da igreja (Atos 1:26; I Cor 5:12).

D. As implicações da igualdade dos membros na igreja

Se os membros são iguais e nenhum homem ou mulher tem o senhorio na igreja, então não há ninguém entre os muitos das igrejas para ser o “mestre” sobre elas. Isto quer dizer que cada igreja é separada e distinta de outras da mesma fé e ordem (cada igreja um castiçal, Apoc 1:12-20). Como cada lar é responsável por si, cada igreja é independente, sendo que cada uma é autônoma debaixo da autoridade de Cristo (Atos 15:1-35). Nenhuma organização humana deve dominá-las; deve haver, porém, cooperação voluntária entre elas na execução da obra da Grande Comissão (I Cor 16:1; II Cor 8:23-9:5).

Há igualdade entre os membros na igreja como num lar há igualdade entre os do lar. Também há posições dentro da instituição da igreja, como há no lar, para o bom andamento dela. Se não tiver equilíbrio entre as verdades de igualdade de membros e as posições que existem na igreja, a harmonia e união que foram exemplificadas e ensinadas no Novo Testamento serão destruídas (vede o exemplo de Diôtrefes, III João 9,10).

 

Autor: Pastor Calvin
Fonte: www.obreiroaprovado.com