Só é preciso o período de uma geração para haver um desvio doutrinário de um povo. Uma geração que não conhecera a José passou a perseguir o povo de Israel. Uma mudança que iniciou a ruína do Egito. Assim concluímos a necessidade da reiteração e confirmação da doutrina em cada geração. Uma verdade se pisada levantar-se-á outra vez, mas somente à medida que ela é conhecida e crida por homens de convicção e coragem de sua proclamação. Por este motivo o Apóstolo Paulo disse a seu aluno Timóteo: "E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros". 2 Timóteo 2:2. Assim como cada geração deve ser evangelizada, ela precisa também ser doutrinada.
O Pastor C. D. Cole por intermédio deste livro, transmite ao povo de Deus uma valiosa mensagem, produto de horas de dedicação à causa. Ele chama nossa atenção a um estudo nas Escrituras da Pessoa, natureza e dos gloriosos atributos de nosso grandioso Deus. O autor sabiamente diz que o fundamento da verdadeira religião deve ter os pensamentos próprios a respeito de Deus... O homem que pensa certo de Deus não poderá errar muito em seus pensamentos sobre as outras coisas. Mil males brotam de conceitos errôneos a respeita de Deus. A tendência atual é enfatizar as doutrinas que tratam do homem. A psicologia e sociologia são mais populares que a teologia. Expressões atuais como: "Competência da alma humana", "Pensamento criativo", "Dignidade do homem", "O valor da personalidade humana", e "Construindo um novo mundo" indicam uma tendência de magnificar o homem e de diminuir Deus no pensamento e atividade religiosa.
A pequena noção que uns têm de Deus faz com que estes se tornem simplesmente apologistas de Deus. Eles falam do desejo de Deus em fazer isto ou aquilo, dando vez a Deus ou permitindo que Sua vontade seja efetuada. O homem torna-se assim o soberano e Deus por sua vez o suplicante. Ouvi certo pregador dizer com voz de simpatia: "Sinto pena de Deus"; enquanto suplicava a sua congregação em favor de Deus. Queridos irmãos, estudem este livro, leiam as referências bíblicas, absorvam a mensagem deste livro e nunca terão pena de Deus. Ele revela-Se como apto a cuidar de Si mesmo. Tenha então pena, não de Deus, mas dos que desconsideram Seu poder, resistem à Sua vontade e diminuem Sua soberania universal.
As profundezas de Deus como demonstradas neste livro, não são vistas pela mente natural e raramente são discernidas pelo crente que estuda superficialmente sua Bíblia. A notável massa das doutrinas de nossa fé encontra-se submergida, como os dois terços dum "iceberg", abaixo da superfície da meditação e apreciação popular. Os missionários têm sido exaltados pelos congressistas por terem criado um clima de boa vontade para com os Estados Unidos entre países estrangeiros, mas seus olhos estão cegos ao eterno propósito de Deus de visitar o gentio, para tirar deles um povo para o Seu nome. Cinco mil que provaram dos pães e peixes queriam fazer de Jesus seu rei, mas somente doze permaneceram para ouvi-lO pregar acerca da eleição, do chamado eficaz e da soberania de Deus. Para as mentes preguiçosas que procuram material já mastigado e sermões de popularidade, este livro terá pouco apelo, mas aos que desejam um conhecimento mais profundo de seu Deus, este livro valerá seu peso em ouro. Meu coração se alegrou, minha alma se regozijou e meu ser bendisse ao Senhor enquanto lia o manuscrito desta obra. Que maravilhoso Deus é este nosso Deus!
Tal conceito de Deus, como revelado neste livro, promoverá humildade e reverência em nosso louvor. Reverência que a música, a arte, e efeitos visuais e psicológicos jamais conhecerão. O orgulho será dissipado assim como o formalismo e o ritualismo de nossas igrejas. O efeito de tal noção colocará o pregador sobre a terra firme da segurança e o salvará do desespero quando o resultado de seus trabalhos parecer nulo, pois tal conceito de Deus fará com que tudo seja confiado aos eternos propósitos de Deus. Conceito como este será uma proteção aos métodos que usamos na evangelização. A tensão espiritual será atenuada em nossas atividades religiosas. O triunfo será colocado em nossos corações e diremos como o Apóstolo Paulo: "Que diremos, pois, se Deus é por nós, quem será contra nós"?
Aos santos em toda a parte e principalmente aos meus irmãos Batistas, eu recomendo este livro. Que Deus o use para abençoar e fortalecer nosso povo na "fé uma vez nos entregue".
Fraternalmente em Cristo, D. F. Sebastian,
Plant City, Flórida, EUA
PREFÁCIO DO AUTOR
O autor deste livro reivindica ter uma só qualificação ao oferecer este seu trabalho de teologia: seu amor pelo assunto. Qualquer homem que censure a doutrina, como inútil ou desinteressante não poderá ser qualificado para tratar com os ensinos da Bíblia. Uma pessoa que fala das doutrinas solenes com um tom de escárnio, desqualifica-se imediatamente como professor das Escrituras. Aquele que põe as Escrituras no plano da razão humana e as torce aos desejos de sua própria razão não merece lugar nos púlpitos cristãos.
Há mais de vinte anos atrás o autor apresentou à sua igreja e em diversos institutos bíblicos, preleções sobre os atributos divinos. Mais tarde, ele ensinou teologia a diversos pastores na qual incluiu várias palestras sobre o assunto. Ainda mais tarde escreveu vários artigos num jornal religioso (Florida Baptist Witness) sob o título de "Definição de Doutrinas". Este será o título que será dado à sua obra a ser publicada em volumes. O primeiro terá o título: "DOUTRINA DE DEUS", tema como nenhum outro para estudo e meditação.
Bacon diz que certos livros devem ser provados, outros engolidos e ainda outros devem ser mastigados e digeridos. Aquele que prova o livro poderá não gostar, ou talvez não seja prudente engoli-lo; mas aquele que mastiga e digere, será fortalecido na fé pelas revelações da grandeza de nosso Deus.
CLAUDE DUVAL COLE, 19 de dezembro de 1944
CONTEÚDO
1. O SER DE DEUS.
2. A NATUREZA DE DEUS.
3. OS NOMES DE DEUS.
4. OS DECRETOS DE DEUS.
5. A PALAVRA DE DEUS (AS SANTAS ESCRITURAS).
6. OS ATRIBUTOS DE DEUS.
7. OS ATRIBUTOS CLASSIFICADOS.
8. A INDEPENDÊNCIA DE DEUS.
9. A IMUTABILIDADE DE DEUS.
10. A CIÊNCIA DE DEUS.
11. A PRECIÊNCIA DE DEUS.
12. O PODER DE DEUS.
13. A GRAÇA DE DEUS.
14. A GRAÇA DE DEUS (continuação).
15. A GRAÇA DE DEUS (conclusão).
16. A MISERICÓRDIA DE DEUS.
17. A FIDELIDADE DE DEUS.
18. A SABEDORIA DE DEUS.
19. O AMOR DE DEUS.
20. A VONTADE DE DEUS.
21. A SOBERANIA DE DEUS.
22. A LONGANIMIDADE DE DEUS.
23. A SANTIDADE DE DEUS.
24. A PROVIDÊNCIA DE DEUS.
25. A PROVIDÊNCIA DE DEUS (conclusão).
26. O SILÊNCIO DE DEUS.
CAPÍTULO 1 - O SER DE DEUS
Não temos a intenção de fazer laboriosos e elaborados argumentos para a existência de Deus. Começamos onde a Bíblia começa. A Bíblia toma por certo a existência de Deus e supomos que o leitor fará o mesmo. Existem tantas provas de Sua existência que a Bíblia não tenta prová-la. Existe o testemunho exterior da natureza: "Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos". Salmos 19:1. Ouve-se a voz destas testemunhas em todas as línguas e em todos os lugares. É verdade que em tempos passados Deus deixou que as nações andassem em suas próprias maneiras. Atos 14:16. Sua graça não operou na salvação delas, mas ao mesmo tempo, Ele não deixou sem testemunha, fazendo o bem, dando-lhes a chuva e as estações produtivas. Atos 14:17. Seu eterno poder e divindade são claramente vistos nas coisas visíveis que Ele criou (Romanos 1:20).
Existe também o testemunho interno da consciência: "Porque, quando os gentios, que não têm a lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmo são lei; os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os". (Romanos 2:14-15). A natureza e a consciência proclamam em voz alta a existência do verdadeiro Deus vivo. Portanto, por motivos práticos não há necessidade de se provar a existência de Deus.
A ALMA SENTE DEUS
Um homem certa vez tentou zombar da idéia de Deus. Ele perguntou a seu vizinho crente se ele já havia visto Deus. O crente admitiu que não. Em seguida perguntou se ele havia ouvido a voz de Deus, ou sentido o gosto de Deus, ou mesmo o cheiro de Deus. O crente admitiu que ele nunca tinha percebido Deus através dos sentidos físicos. Em seguida o crente fechou a boca do ateu perguntando se ele já havia contado uma mentira. Quando admitiu que sim, o crente perguntou que sensação tal ato havia deixado. O ateu admitiu que fora uma sensação de culpa e desconforto. Esta sensação era o testemunho da consciência dizendo-lhe que Deus existia, o Doador da lei moral, a quem ele teria que prestar contas. O motivo de um homem pagar ou prestar serviço a um outro a quem ele ofendeu é aplacar a um Deus ofendido. Todo homem sente Deus a não ser que sua consciência tenha sido cauterizada. O ateu é o louco educado. Não há ateus teóricos entre os pagãos. Não existe ateu entre os demônios; eles crêem e estremecem. Tiago 2:19.
O PECADO SE ORIGINOU NAS AFEIÇÕES
As Escrituras não raciocinam com os ateus, porém os reprovam: "O néscio diz em seu coração, não há Deus". Salmos 19:1. O erro não jaz tanto no entendimento quanto no coração. O ateu teórico (o homem que nega a existência de Deus) faz com que sua mente concorde com o coração. É um caso onde o desejo guia o pensamento. Enquanto no mundo existem poucos ateus teóricos, todo homem no seu estado natural e decaído é um ateu na prática: ele não quer um Deus verdadeiro. O néscio no Salmo 14:1-3 é o néscio típico; ele representa todo homem que não é convertido. No texto o plural é usado: "Eles são corruptos, eles praticam obras más, não há quem faça o bem." O pecado originou-se nas afeições ou desejos, e a obscuridade do entendimento é produto da punição divina. "E como eles não se importaram em ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem as coisas que não convêm". Romanos 1:28. O verdadeiro Deus, quando conhecido, não era o Deus que os homens queriam. Quando os homens conheceram a Deus, "eles não O glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram e o seu coração insensato se obscureceu". Romanos 1:21.
DEVOLUÇÃO MORAL
A verdadeira evolução, moralmente, leva em conta o pecado, e é o desenvolvimento da natureza humana que despreza a Deus. Por isso chamamos de devolução moral. A progressão do pecado nos é dado em Romanos 1:18-32. Primeiramente, os homens suprimiram ou abafaram a verdade a respeito de Deus. Eles tinham a verdade concernente a Deus no livro da própria natureza. Seu poder eterno e Sua divindade foram claramente revelados nas coisas que fizera, mas os homens não gostaram desta verdade. Eles viraram as costas às revelações e se tornaram a seus próprios entendimentos. Em segundo lugar eles mudaram a verdade a respeito de Deus em mentira, e fizeram imagens e representações de Deus na forma do homem, de pássaros e de bestas feras. Temos o Apolo dos gregos, a águia dos romanos, o boi dos egípcios e a serpente dos assírios. Os homens conheceram a Deus, mas recusaram-se adorá-lO, e a idolatria seguiu por necessidade psicológica. E em terceiro lugar, a idolatria foi seguida pela sensualidade. Deus os entregou às suas impurezas e vis afeições. Ele negou Sua graça remidora e deixou a natureza humana seguir seu curso de imoralidade. Os últimos versículos do primeiro capítulo de Romanos descrevem as coisas que homens e mulheres farão quando entregues às suas próprias concupiscências. Eles não somente fazem estas coisas, mas desejam que outros as façam também (versículo 32). O ponto mais baixo da depravação do homem é quando ele se alegra em ver os outros pecarem.
NÃO HÁ LUZ SALVADORA NA NATUREZA
As testemunhas de Deus na natureza não fazem parte da luz do Evangelho. Estas testemunhas são suficientes para deixarem o homem sem desculpa, mas não são eficazes como meio de salvação. Elas são suficientes para o homem reconhecer que é pecador, mas não dizem nada do Salvador. Uma maior revelação é necessária antes que o homem possa conhecê-lO no perdão do pecado. E esta revelação maior é a Palavra Escrita como testemunha ao Verbo encarnado, Jesus Cristo, pelo conhecimento de Quem muitos serão justificados. Isaías 53:11.
O HOMEM É UM SER RELIGIOSO
O homem é por natureza um ser religioso. Por treinamentos, fora da Bíblia e à parte do novo nascimento, ele se tornará um ateu ou idólatra. Isso é o melhor que a educação ‘a parte da graça de Deus fará. Uma mera religião cultural desafia a humanidade, nega a queda do homem e fala somente da tendência de elevação. É esta a religião do evolucionista. O deus do sensual são seus próprios desejos. Sua única regra de conduta são os desejos de uma natureza depravada. Filipenses 3:19. Esta é a religião dos homens de negócios que não conhecem a Deus e dos ébrios e libertinos.
Inventar um deus na imaginação é tão ruim quanto criar um deus com as mãos. A velha forma de religião fazia seus deuses com as mãos, a nova forma com os pensamentos, guardando-os na mente idólatra. O Deus desconhecido continua sendo o verdadeiro Deus. Os atenienses do tempo de Paulo tinham altares a seus deuses e em seu zelo tinham um para o Deus desconhecido. O Deus desconhecido é o Deus sobre Quem Paulo lhes falou. O verdadeiro Deus lhes era desconhecido.
O propósito das seguintes páginas é de apresentar
o Deus da Bíblia em Sua natureza e perfeições pessoais.
O leitor é convidado a provar o que aqui se escreve com o que é
revelado nas Sagradas Escrituras. E que o Espírito da verdade nos
guie à verdade!
CAPÍTULO 2 - A NATUREZA DE DEUS OU SEU MODO DE SER
Quem é Deus? O que constitui a natureza divina? Qual é o modo de ser de Deus? Estas perguntas nos levam à sarça ardente e à terra santa. Nós devemos caminhar suavemente, andar humildemente e evitar suposições. Mas podemos ir até onde a revelação divina for.
Existe realmente uma natureza divina. Com a palavra "natureza" indicamos as características que diferenciam um ser dos demais. Falamos, portanto, da natureza angélica, da natureza humana e da natureza das bestas feras. A possibilidade de falarmos da natureza de Deus foi sugerida pelo apóstolo Paulo quando disse que os gálatas, antes de serem convertidos, serviam aqueles que por natureza não eram deuses. Gálatas 4:8. Isto claramente implica a existência de alguém que por natureza é Deus.
DEUS É UM SER PESSOAL
A pessoa de Deus é bem distinta do panteísmo, que diz que tudo o que é agregado é Deus. Deus é tudo e tudo é Deus. Como um ser pessoal, Deus é imanente e transcendente, isto significa que, Ele está na Sua criação e ao mesmo tempo acima de Sua criação. Ele é uma pessoa na Sua criação e ao mesmo tempo Ele está separado e bem distinto dela. Ele também está acima de Sua criação, isto é, Ele é maior que Sua criação, distinto dela e não faz parte dela. Na oração de Salomão por ocasião da dedicação do templo, ele prestou tributos à grandeza transcendental de Deus com estas palavras: "Mas na verdade habitará Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus, te não poderiam conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado". 1 Reis 8:27.
Existem três marcas de personalidade: a auto-consciência, auto-determinação e consciência moral e todas estas três qualidades pertencem a Deus.
DEUS É UM SER ESPIRITUAL
Deus é exclusivamente espírito. João 4:24. O leitor deverá reconhecer esta verdade ou terá problema para entender as três pessoas da trindade. Como espírito Deus não pode ser dividido ou composto. Como espírito Ele é invisível e intangível. "Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito que está no seio do Pai, esse o fez conhecer". João 1:18.
ARGUMENTO
1. Ele é o criador dos espíritos, e desde que o ser espiritual é o nível mais alto de ser, Ele deve ter a natureza pertencente a este nível.
2. As Escrituras atribuem espiritualidade a Deus. João 4:24, Hebreus l2:9.
3. Sua espiritualidade pode ser argumentada do ponto de Sua imensidade e eternidade. Ele é infinito quanto a espaço e tempo. A matéria é limitada ao tempo e espaço, mas Deus é onipresente e eterno.
4. Sua espiritualidade pode ser argumentada através de Sua independência e imutabilidade. Tudo o que é matéria pode ser dividido, somado ou diminuído. A matéria é sujeita as mudanças, mas Deus é imutável.
5. Sua espiritualidade pode também ser argumentada através de Suas perfeições absolutas. A matéria impõe limitações e não é sistemática nem consistente com a perfeição absoluta. A palavra perfeição é usada aqui com um significado amplo e não só no sentido de não ter pecado. O Salvador, em Seu corpo humano tinha Seus limites ainda que sem pecado. Ele não podia estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Ele não estava imune à fome, sede, cansaço e dor.
OBJEÇÃO
Muitas passagens nas Escrituras atribuem partes do corpo a Deus. Falam de Seus olhos, Sua face, Suas mãos e Seus braços, etc. Em réplica podemos dizer que a linguagem é figurativa e é usada de modo conveniente ao entendimento humano. Tal linguagem é chamada de antropomorfismo, isto é atribuição de características humanas a seres que não são humanos.
DEUS É UM SER TRIÚNO
Existe uma essência Divina de ser que subsiste em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Deus é uma trindade, três em um. Na primeira parte do século IV quando o arianismo ameaçava dominar o setor religioso, um jovem teólogo, Atanásio, formulou uma declaração que foi incorporada no credo Nicenos. Dizia: "Nós adoramos um Deus na trindade e trindade em união, não confundindo as pessoas nem dividindo a substância". Esta afirmação é notória e profunda, mas clara e simples. A noção ariana fazia do Pai, o supremo Deus e do Filho apenas um ser divino, mas subordinado. De acordo com ÁRIUS, o Filho era semelhante, mas não da mesma substância do Pai.
A noção Sabeliana é que Deus é uma pessoa, que se manifesta certas vezes como o Pai, às vezes como o Filho e ainda outras vezes como o Espírito Santo. Mas tal noção faria com que Ele deixasse de existir como Pai quando manifestado como Filho.
Se Deus fosse um ser físico existindo como uma trindade, Ele estaria em três partes, e se estas partes fossem pessoas, cada pessoa seria apenas parte de Deus. Mas como espírito, Ele é três pessoas mas uma só substância e cada pessoa é em si o todo de Deus. Concernente ao Filho, lemos que nEle habitou corporalmente toda a plenitude da divindade. Colossenses 2:9. E também Ele é chamado a imagem do Deus invisível em Colossenses 1:15.
Deus não é três pessoas no mesmo sentido que um pai, mãe e filho são três pessoas de uma só família.
Deus tem três modos de ser, três centros de consciência pessoal. Essencialmente Ele é um, mas relativamente Ele é três pessoas. E nestas relações, Ele existe como o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O Doutor Strong resume o fato da seguinte maneira: Na questão da fonte, origem e autoridade, Ele é Pai: No questão de expressão, meio e revelação, Ele é Filho. E na questão de compreensão, realização e concepção, Ele é Espírito. O Doutor Strong em quatro pensamentos faz um resumo da diferença entre o trabalho do Filho e do Espírito Santo.
1. O semear parece ser obra de Cristo, e a ceifa é obra do Espírito Santo.
2. Cristo é o órgão de revelação exterior, o Espírito Santo é o órgão de revelação interior.
3. Cristo é nosso advogado no céu, o Espírito Santo, advogado na alma.
4. Na obra de Cristo somos passivos, mas na obra do Espírito Santo somos ativos.
A TRINDADE - DOUTRINA REVELADA
Do mesmo modo que sem a Bíblia o homem jamais descobriria o único Deus verdadeiro, ele jamais poderia descobrir sem a Bíblia a trindade da Divindade. A razão humana é incapaz de descobrir o mistério da trindade, e também não há provas racionais da existência da mesma.
Diz-se que em certa ocasião, Daniel Webster e um amigo escutaram um sermão sobre a Trindade. Ao voltarem da igreja, o amigo disse que tal doutrina era uma impossibilidade matemática. Daniel Webster respondeu: "De acordo com a matemática da terra, sim, mas eu nada sei da matemática celeste"!
A Bíblia nos dá a matemática celestial, e com ela tentaremos provar a Trindade de Deus.
1. Nós temos a Trindade no plural dos nomes de Deus. O primeiro nome de Deus que encontramos na Bíblia está no plural: "No princípio criou (singular) Deus (Eloim, plural) os céus e a terra". Gênesis 1:1. O substantivo plural com o verbo no singular mostra a Trindade trabalhando em união. Charles Smith diz que a Bíblia começa com uma falsificação e que este versículo deve ser lido: "No princípio criou Os Deuses..." Errado, pois o verbo no singular mostra a obra de Um só, mas o substantivo revela três pessoas em uma só essência divina. Encontra-se o nome plural de Deus com maior freqüência nas Escrituras que a forma singular.
2. Nós temos a Trindade nas expressões plurais usadas por Deus quando fala de Si mesmo: "Façamos o homem". Gênesis 1:26; "Desçamos e confundamos". Gênesis 11:7, etc.
3. A Trindade foi mostrada no batismo de Jesus. O Filho encarnado sendo batizado; O Pai manifesto em voz alta e o Espírito Santo na forma de uma pomba. Mateus 3:16-17.
4. Temos ainda a Trindade na fórmula batismal em Mateus 28:19. As Escrituras não dizem: "batizando-os nos nomes (plural) do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Do mesmo modo não encontramos o equivalente do plural, pois não lemos: "no nome do Pai, e no nome do Filho, e no nome do Espírito". Ao mesmo tempo as Escrituras não nos dão a idéia de que os três nomes são somente diferentes designações de um mesmo ser, como teríamos se as Escrituras dissessem: "No nome do Pai, Filho e Espírito". As Escrituras dizem: "Batizando-os no nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo".
A TRINDADE REFLETIDA NA CRIAÇÃO
Enquanto que na criação não achamos coisa alguma que explique ou justifique a Trindade de Deus, a trindade explica a criação. Esta criação é um tri-universo, uma criação três em um. Um dos grandes livros de nosso tempo é o livro de Nathan R. Wood intitulado: "O Segredo do Universo". Neste livro o autor mostra o que o universo é, como é, porque foi criado por um Deus triúno. Primeiramente ele demonstra que o universo físico ou exterior é uma trindade. Os elementos básicos são: espaço, matéria e tempo, três modos de existência e, como Deus, cada parte é um todo do todo. E cada uma destas partes básicas são triúnas. O espaço tem três dimensões: comprimento, largura e altura. Cada um é o todo do espaço, mas ao mesmo tempo ainda existem três dimensões. A matéria é composta de três elementos: energia, movimento, e fenômeno; três modos de existência distintos, mas um só e cada modo é um inteiro do todo. Como universo de tempo temos uma trindade absoluta: passado, presente e futuro; cada qual distinto mas ainda cada um compõe o todo. Todo o tempo é ou tem sido futuro; o futuro inclui todo tempo. Todo tempo é ou tem sido ou será presente. E todo tempo é ou será passado.
Em seguida, o autor toma a alma ou o que ele chama de universo interior, e mostra que a alma do homem é triúna, isto é, tem três modos de existir. Ele chama-os de: natureza, pessoa, personalidade; distintos mas cada um permanece sendo o todo da alma. Podemos dizer, trindade absoluta e também unidade absoluta. Aqui, o autor mostra que o homem como alma reflete o Deus triúno de uma maneira que a criação física jamais poderá. Ele faz de Deus a chave que destranca o universo. Num tipo de resumo ele diz: "A estrutura do universo, a natureza de espaço, da matéria, do tempo e da vida humana, atestam a Trindade. Eles refletem a Trindade. Eles exigem a Trindade. A Trindade os explica".
A diferença entre Einstein, com sua teoria da relatividade (argumentada
pela sugestão duma quarta dimensão) e Wood é a diferença
entre a aproximação ateísta e cristã ao segredo
do universo.
CAPÍTULO 3 - OS NOMES DE DEUS
O alvo deste volume é levar os leitores a um melhor conhecimento do Deus vivo e verdadeiro. Se qualquer dos leitores sente que o autor deixa-se pender, e não mantém o equilíbrio da verdade ao enfatizar a responsabilidade do homem, devo relembrá-lo que nossa tese é Deus, não o homem.
Existem várias fontes de conhecimento sobre Deus. Os céus e a terra e Sua criação revelam Seu eterno poder e divindade, e declaram a Sua glória. A consciência humana também testifica de Sua existência como a testificam as leis da natureza. Mas a Bíblia é a fonte principal de informação a respeito de Deus em Seu caráter e trabalho.
Os vários nomes e títulos dados a Deus na Bíblia revelam muito em relação a Seu caráter e governo. Na Bíblia, os nomes de pessoa, lugares e coisas são de grande significado; os nomes foram escolhidos por motivo de seu significado. Nós damos nome a nossos filhos hoje sem nem pensar no significado e muitas vezes o nome não é apropriado ao caráter a quem foi dado. Muitos homens já receberam o nome de Jesus, mas a um só este nome foi apropriado; a Jesus de Nazaré. As vezes encontramos um ignorante com o nome de Rui ou um gago com nome dum grande orador. Mas os nomes de Deus na Bíblia são muito bem apropriados e pode-se aprender muito pelo estudo de Seus nomes.
O estudo de nomes dados a pessoas e a lugares na Bíblia é tão interessante que somos forçados a olhar um pouco a este estudo antes de chegarmos ao tema principal que é "Os nomes de Deus". Na Bíblia os nomes revelam o caráter de pessoas e de solenidades em certas ocasiões. Como ilustração, vamos tomar diversos nomes encontrados na Bíblia e vamos examinar um pouco seus significados. Na batalha de Afeca, Israel foi derrotado pelos filisteus, perdendo trinta mil soldados; os dois filhos de Eli, Ofní e Finéias foram mortos; a arca de Deus foi levada pelos filisteus; e quando estas notícias chegaram à esposa de Finéias, ela faleceu ao dar a luz a uma criança, a quem deu o nome de Icabô logo antes de falecer. Este nome significa "sem glória", demonstrando assim que a glória de Deus havia saído de Israel. 1 Samuel 4:21. O nome Moisés significa "tirado" e foi-lhe dado pela filha de Faraó que disse: "porque o tirei das águas". Êxodo 2:10. O nome Samuel foi dado ao filho de Elcana e Ana como memorial a uma oração respondida. Samuel significa "ouvido por Deus" e foi-lhe dado por sua mãe: "porque o pedi do Senhor". 1 Samuel 1:20. O nome humano de Jesus foi dado o nosso Senhor porque significa "Jeová salva". Quando o anjo do Senhor apareceu a José para aquietar seu temor e desconfianças concernentes à sua virgem, Maria, ele anuncia o nascimento de um filho e diz: "chamarás seu nome Jesus, pois Ele salvará seu povo dos seus pecados." Mateus 1:21. O nome Abraão significa "pai de muitos", e foi dado a Abrão por Deus quando lhe prometeu numerosa descendência. Adão chamou a criatura tirada de seu lado de mulher: "porque do homem ela foi tirada". Gênesis 2:23. Quando Adão e Eva tornaram-se pecadores pela transgressão do mandamento de Deus, o evangelho foi-lhes pregado por Deus... O evangelho que a semente da mulher feriria a cabeça da serpente. Gênesis 3:15. Como sinal de fé, Adão chamou a mulher de Eva, que significa "vivente", pois ela é a mãe de todos os viventes. Gênesis 3:20. O primeiro filho de Eva foi chamado Caim, que significa "adquirido", porque como ela disse: "Tenho recebido um homem do Senhor". Gênesis 4:1. O nome dado a este filho provavelmente indica que Eva pensava que ele seria o Salvador. Se isto é verdade, grande foi sua decepção. Talvez por este motivo é que ela chamou seu próximo filho de Abel que significa; "vaidade ou vapor". Quando Samuel venceu os filisteus num campo de batalha entre Mizpa e Sem, ele colocou uma pedra no lugar exato da vitória e chamou-a de Ebenezer, que significa "pedra de auxílio," dizendo: "Até aqui nos ajudou o Senhor". 1 Samuel 7:12.
OS NOMES DE DEUS
Alguns dos nomes de Deus dizem respeito a Ele como sujeito: Jeová, Senhor, Deus; outros são atribuídos como predicados que falam dEle ou a Ele, como: Santo, justo, bom, etc. Alguns nomes expressam a relação entre Deus e as criaturas: Criador, Sustentador, Governador, etc. Alguns nomes são comuns às três pessoas, como; Jeová, Deus, Pai, Espírito. E outros são nomes próprios usados para expressarem Sua obra e Seu caráter.
O nome de Deus é o que Ele é: representação do Seu caráter. Mas o Criador é tão grande que nome algum jamais será adequado à Sua grandeza. Se o céu dos céus não O pode conter, como pode um nome descrever o Criador? Portanto, a Bíblia contém vários nomes de Deus que O revelam em diferentes aspectos de Sua maravilhosa personalidade.
ELOÌM
Este é o primeiro nome de Deus encontrado nas Escrituras (Gênesis 1:1), e aqui o nome encontra-se em sua forma plural, mas o verbo continua no singular, indicando a pluralidade das pessoas na unidade do Ser. Este nome denota a grandeza e o poder de Deus. Este nome encontra-se somente no relato da criação (Gênesis 1:1-2:4); é o Seu nome de criação. Eloím é sempre traduzido no português, como Deus em nossa Bíblia. De acordo com a opinião mais ponderada entre os estudiosos, esta palavra é derivada duma raiz na língua árabe que significa "adorar". Esta opinião é fortalecida quando observamos que a mesma palavra é usada inapropriadamente para anjos, dos homens, e falsas divindades. No Salmo 8:5 a palavra anjos é eloím no texto original, e vemos que certas vezes os anjos são impropriamente louvados. No Salmo 82:1,6 eloím é traduzido deuses, e é usado para homens. Em Jeremias 10:10-12 temos o verdadeiro Deus (eloím) contrastado com os "deuses" (eloím) que não fizeram os céus nem a terra, implicando assim que ninguém, não ser Deus, é objeto próprio de adoração.
EL-SHADAI
Este nome composto é traduzido "Deus o Todo poderoso" (El é Deus e Shadai é Todo poderoso). O título El é Deus no singular, e significa forte ou poderoso. El é traduzido 250 vezes no Velho Testamento como Deus. Este título é geralmente associado com algum atributo ou perfeição de Deus, como; Deus Todo poderoso (Gênesis 17:3); Deus Eterno (Gênesis. 21:33); Deus zeloso (Êxodo 20:5); Deus vivo (Josué 3:10).
Shadai, sempre traduzido Todo-poderoso, significa suficiente ou rico em recursos. Pensa-se que a palavra é derivada duma outra que significa seios. A palavra seio nas Escrituras simboliza bênção e nutrição. Na pronúncia da última bênção de Jacó sobre José quando morria, entre outras coisas disse: "Pelo Deus (El) de teu pai o qual te ajudará, e pelo Todo-poderoso (Shadai), o qual te abençoará com bênçãos dos céus de cima, com bênçãos do abismo que está debaixo, com bênçãos dos peitos e da madre". Gênesis 49:25. Isaías, ao descrever a excelência futura e as bênçãos de Israel, diz: "E mamarás o leite das nações, e te alimentarás dos peitos dos reis; e saberás que eu sou o Senhor, o teu Salvador, e o teu Redentor, o Possante de Jacó". Isaías 60:16. O povo de Deus será sustentado pelos recursos das nações e dos reis porque seu Deus é El-Shadai - O poderoso para abençoar.
Satanás tenta competir com Deus e é um falsificador de Suas obras. Portanto, podemos esperar encontrar nas religiões pagãs imitações de Deus em vários aspectos de seu caráter e governo. Este fato é bem demonstrado na seguinte citação tirada do livro de Nathan J. Stone concernente aos nomes de Deus no Velho Testamento.
"Tal conceito de um deus ou divindade não era estranha nem incomum aos antigos. Os ídolos dos antigos pagãos são às vezes chamados por nomes que indicam seu poder em suprir as necessidades dos seus adoradores. Sem dúvida, porque eram considerados como grandes agentes da natureza ou dos céus, dando chuva, fazendo com que da terra brotassem águas, para trazer abundância e frutos para manter e nutrir a vida. Havia muitos ídolos com peitos, adorados entre os pagãos. Um historiador mostra que o corpo inteiro da deusa egípcia, Isis, era coberto de peitos, porque todas as coisas são sustentadas e nutridas pela terra ou natureza. O mesmo se vê com a deusa Diana dos efésios no capítulo 19 de Atos, pois Diana simbolizava a natureza e todo o mundo, com todos os seus produtos.
Este nome de Deus primeiramente aparece em conexão com Abrão. Gênesis 17:1-2. Anos antes e em diferentes ocasiões, Deus prometera a Abraão que faria dele uma grande nação e uma numerosa descendência. Os anos se passaram e o filho prometido a Sara e Abrão não vinha. Foi então que ele recorreu aquele expediente carnal que trouxe Ismael e o Islamismo ao mundo. E a promessa de Deus ainda não havia se cumprido. E agora, de acordo com as leis da natureza, era muito tarde: Abrão contava com 99 anos de idade e Sara com 90. A esta altura é que Deus lhe aparece como o Deus Todo-poderoso (El-Shadai) e repete Sua promessa. E aqui é que seu nome foi mudado de Abrão a Abraão, que significa "pai de muitas nações". Aqui temos uma promessa desconcertante, mas Abraão não vacilou, pois ele "era forte na fé, dando glória a Deus". Romanos 4:20. A fé forte de Abraão era baseada sobre esta nova revelação de Deus como Deus Todo-poderoso (El-Shadai). "Ele não considerou mais seu corpo como morto... nem a madre de Sara como infrutífera"; pois seus pensamentos estavam sobre um Deus Todo-suficiente. Esta é uma bela ilustração da diferença entre a lei da natureza e o Deus da natureza. As leis da natureza não podiam produzir um Isaque, mas isto não era problema para o Deus da natureza. Não importa, se todas as coisas forem contra Deus; Ele é Todo-suficiente nele mesmo.
ADONAI
Este nome de Deus está no plural, denotando assim a pluralidade das pessoas na Divindade. É traduzido como Senhor em nossa Bíblia e denota uma relação de Senhor e escravo. Quando usado no possessivo, indica a posse e autoridade de Deus. A escravidão é uma bênção quando Deus é o Dono e Senhor. Nos dias de Abraão, a escravidão era uma relação entre homem e homem e não era um mal implacável. O escravo comprado tinha a proteção e os privilégios não gozados pelos empregados assalariados. O escravo comprado devia ser circuncidado e tinha permissão de participar da Páscoa. Êxodo 12:44.
Esta palavra no singular (Adon) refere-se a homem mais de duzentas vezes no Velho Testamento e é traduzida várias vezes como; Senhor, Mestre, Dono. Este nome de Deus é usado pela primeira vez no Velho Testamento em conexão com Abraão. Abraão foi o primeiro a chamar Deus de Adonai. Abraão como dono de escravos reconhecia Deus como seu mestre e proprietário. Quando Abraão retorna da sua vitória sobre os reis, depois de ter libertado Ló, o rei de Sodoma queria gratificá-lo, mas ele recusou recompensas. E "depois destas coisas veio a palavra do Senhor (Jeová) a Abraão dizendo: "Não temas, Abraão, Eu sou teu escudo e tua grande recompensa, e Abraão disse: Senhor Deus" (Adonai Jeová). Ele que possuía escravos reconhecia a si próprio como escravo de Deus.
JEOVÁ
Este é o mais famoso dentre os nomes de Deus e é predicado dele como um Ser necessário e auto-existente. O significado é: AQUELE QUE SEMPRE FOI, SEMPRE É E SEMPRE SERÁ. Temos assim traduzido em Apocalipse 1:4: "Daquele que é, e que era, e que há de vir".
Jeová é o nome pessoal, próprio e incomunicável de Deus. No Salmo 83:18 lemos: "Para que saibam que tu, a quem só pertence o nome Jeová, és o Altíssimo sobre toda a terra". Os outros nomes de Deus são às vezes empregados a criaturas, mas o nome Jeová é usado exclusivamente para o Deus vivo e verdadeiro.
Os judeus tinham uma reverência supersticiosa por este nome e não o pronunciavam quando na leitura, antes o substituíam por Adonai ou Eloím. Este é o nome de Deus no concerto com o homem. Este nome aparece aproximadamente sete mil vezes e na maioria é traduzido como "Senhor". Como já dissemos ele inclui todos os tempos; passado, presente e futuro. O nome vem de uma raiz que significa "Ser."
A. W. Pink tem comentários esclarecedores sobre a relação entre Eloim e Jeová em seu livro: A Inspiração Divina da Bíblia, e citamos: "Os nomes Eloim e Jeová são encontrados nas páginas do Velho Testamento diversas mil vezes, mas nunca são usados de modo negligente nem alternadamente. Cada um destes nomes tem um propósito e significado definido, e se os substituirmos um pelo outro a beleza e a perfeição de muitas passagens seriam destruídas. Como ilustração: A palavra "Deus" aparece em todo o capítulo de Gênesis 1, mas "Senhor Deus" no capítulo 2. Se nestas duas passagens os nomes fossem invertidos; falha e defeito seriam o resultado. "Deus" é o título de criação, enquanto que "Senhor" implica relação de concerto e mostra Deus tratando com Seu povo. Portanto, em Gênesis 1, "Deus" é usado, no capítulo 2 "Senhor Deus" é empregado e através do resto do Velho Testamento estes dois nomes são usados discriminadamente e em harmonia com seus significados neste dois primeiros capítulos da Bíblia. Um ou dois exemplos serão o suficiente. "E entraram para Noé na arca, dois a dois de toda carne que havia espírito de vida. E os que entraram, macho e fêmea de toda carne entraram, como Deus (Eloím, C. D. Cole) lhe tinha ordenado; "Deus", porque era o Criador exigindo o respeito de Suas criaturas; mas no restante do mesmo versículo, lemos: "e o Senhor (Jeová, C. D. C.) fechou-a por fora, (Gênesis 7:15-16) isto porque a ação de Deus para com Noé estava baseado na relação de concerto. Quando saiu para enfrentar Golias, Davi disse: "Neste dia o Senhor (Jeová) te entregará na minha mão (porque Davi tinha um concerto com Deus) e ferir-te-ei, e te tirarei a cabeça, e os corpos do arraial dos filisteus darei hoje mesmo às aves dos céus e às bestas da terra; e toda a terra saberá que há Deus (Eloím) em Israel; E saberá toda esta congregação (que estava em relação de concerto com Ele) que o Senhor (Jeová) salva não com espada nem com lança". 1 Samuel 17:46-47. Mais uma vez: "Sucedeu pois que, vendo as capitães dos carros a Josafá disseram: É o rei de Israel e o cercaram para pelejarem, porém Josafá clamou, e o Senhor (Jeová) o ajudou. E Deus (Eloim) os desviou dele". 2 Crônicas 18:31. E assim temos exemplos através todo o Velho Testamento.
OS TÍTULOS DE JEOVÁ
O nome Jeová é muitas vezes usado de modo composto com outros nomes para apresentar o verdadeiro Deus em algum aspecto de Seu caráter, satisfazendo certas necessidades de Seu povo. Existem quatorze destes títulos de Jeová no Velho Testamento, mas neste volume não há espaço para se tratar de cada um separadamente. Teremos que nos satisfazer com uma apresentação dos títulos e algumas referências onde são usados:
JEOVÁ-HOSENU, "Jeová nosso criador". Salmo 95:6.
JEOVÁ-JIRÉ, "Jeová proverá". Gênesis 22:14.
JEOVÁ-RAFÁ, "Jeová que te cura". Êxodo 15:26.
JEOVÁ-NISSI, "Jeová, minha bandeira". Êxodo 17:15.
JEOVÁ-M’KADDÉS, "Jeová que te santifica". Levítico 20:8.
JEOVÁ-ELOENU, "Jeová nosso Deus". Salmo 99:5 e 8.
JEOVÁ-ELOEKA, "Jeová teu Deus". Êxodo 20:2,5,7.
JEOVÁ-ELOAI, "Jeová meu Deus". Zacarias 14:5.
JEOVÁ-SHALOM, "Jeová envia paz". Juízes 6:24.
JEOVÁ-TSEBAOTE, "Jeová das hostes". 1 Samuel 1:3.
JEOVÁ-ROÍ, "Jeová é meu pastor". Salmo 23:1.
JEOVÁ-HELEIÓN, "Jeová o altíssimo". Salmo 7:17; 47:2.
JEOVÁ-TSIDKENU, "Jeová nossa justiça". Jeremias 23:6.
JEOVÁ-SHAMÁ, "Jeová está lá". Ezequiel 48:35.
OS NOMES DE DEUS NO NOVO TESTAMENTO
1. TEOS. No Novo Testamento grego este é geralmente o nome de Deus, e corresponde a Eloim no Velho Testamento hebraico. É usado para todas as três pessoas da Trindade, mas especialmente para Deus, o Pai.
2. PATER. Este nome corresponde ao Jeová do V. T., e denota a relação que temos com Deus através de Cristo. É usado para Deus duzentas e sessenta e cinco vezes e é sempre traduzido como Pai.
3. DÉSPOTES. (Déspota no português). Este título denota Deus em Sua soberania absoluta, e é semelhante a Adonai do V. T. Encontramos este nome apenas cinco vezes no N. T., Lucas 2:29; Atos 4:24; 2 Pedro 2:1; Judas 4; Apocalipse 6:10.
4. KÚRIOS. Este nome é encontrado centenas de vezes e traduzido como; Senhor (referendo a Jesus), senhor (referendo ao homem), Mestre (referendo a Jesus), mestre (referendo ao homem) e dono. Em citações do hebraico usa-se muitas vezes em lugar de Jeová. É um título do Senhor Jesus como mestre e dono.
5. CHRISTUS. Esta palavra significa o Ungido e é traduzida Cristo. Deriva-se da palavra "chrio" que significa ungir. É o nome oficial do Messias ou Salvador que era por muito tempo esperado. O N. T. utiliza este nome exclusivamente referindo-se a Jesus de Nazaré.
Destes nomes todos do Ser Supremo, aprendemos que Ele é o Ser eterno, imutável, auto-existente, auto-suficiente, todo-suficiente e é o supremo objeto de temor, confiança, adoração e obediência.
Para o autor este estudo tem sido interessante, e ao mesmo tempo tedioso
e difícil, e o leitor deverá ser paciente para ter proveito
máximo. Que revelação maravilhosa temos do grandioso
Deus através destes diversos nomes!
CAPÍTULO 4 - OS DECRETOS DE DEUS
Pelo termo, "decreto de Deus", queremos significar o propósito ou determinação em relação a acontecimentos futuros. Isto diz que as coisas acontecem de acordo com o propósito divino e não pelas leis fixas da natureza, ou destino ou por acaso. Negar os decretos ou a pré-ordenação de Deus é quase destroná-lO. Tal ato O colocaria na reserva como um espectador interessado no que acontece, mas sem poder agir.
"Um universo sem decretos seria tão irracional e espantoso quanto um trem na escuridão sem luz e sem condutor, e sem certeza de que no momento seguinte ele não cairia no abismo". (A. J. Gordon).
Planos e propósitos nossos, tornar-se-ão somente ao fim predeterminado por Deus. (Henry).
"Nós damos graças pelas bênçãos que vêm a nós pelas livres ações dos outros, mas se Deus não houvesse proposto estas bênçãos, então estas graças deveriam ser dados a outros e não a Deus". (A. H. Strong).
"As Escrituras mencionam os decretos de Deus em várias passagens sob diversos termos. A palavra "decreto" é encontrada no Salmo 2:7. Em Efésios 3:11 lemos de Seu "eterno propósito"; em Atos 2:23 de Seu "determinado conselho e paciência"; em Efésios 1:9 de Sua "vontade segundo o seu bom prazer". Os decretos de Deus são chamados Seu "conselho" para significar que são perfeitamente prudentes. São chamados de Sua "vontade" para mostrar que Ele não estava sob outros controles mas agiu de acordo com Seu prazer. Quando a vontade de um homem é sua regra de conduta, geralmente é caprichosa e irracional; mas a sabedoria encontra-se sempre associada à "vontade" nos procedimentos divinos, e assim, os decretos de Deus são chamados para sempre como o conselho de Sua própria vontade". (A.W. Pink).
"Victor Hugo, reconhecendo a governante mão divina, disse: "Waterloo foi de Deus". "Deus no exercício de Sua infinita sabedoria, dirige pessoalmente e controla as livres ações dos homens de maneira a determinar todas as coisas de acordo com Seu eterno propósito". (B. H. Bancroft).
DECRETOS POSITIVOS E PERMISSIVOS
Nem todas as coisas foram decretadas da mesma maneira. Os atos pecaminosos dos homens não foram decretados no mesmo sentido que foram os atos retos. Deus é a causa eficiente de todo bem, enquanto que o mal é somente permitido, dirigido e controlado para Sua glória. Os atos pecaminosos dos homens que Deus decretou permissivamente serão por certo efetuados, mas ao praticá-los os homens expressam sua própria depravação. "Porque a cólera do homem redundará em teu louvor, e o restante da cólera tu o restringirás". Salmo 76:10. As boas obras dos homens são decretadas com eficácia, o que significa que Deus opera neles "tanto o querer como o efetuar segundo a Sua boa vontade". Filipenses 2:13.
"Descuidado parece ser o grande vingador; as páginas da história apenas registram uma morte na escuridão, entre velhos sistemas e a Palavra. Verdade para sempre no cadafalso; erro para sempre no trono; mas o cadafalso dirige o futuro; e por trás do desconhecido está Deus, nas sombras, cuidando de todos os seus". Lowell.
O SEGREDO DE DEUS E A VONTADE REVELADA
Os decretos de Deus pertencem à Sua vontade secreta; os mandados de Deus pertencem à Sua vontade revelada. "As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas são para nós e para nossos filhos para sempre, para cumprirmos todas as palavras desta lei". Deuteronômio 29:29. A vontade secreta do Senhor é Deus cumprindo a Sua vontade no mundo; Sua vontade revelada é a regra (Bíblia) de vida para nossas vidas. O segredo de Deus inclui todas as coisas e Sua revelação inclui tudo o que devemos fazer. Sua vontade encoberta é Seu programa, de acordo com o qual todas as coisas acontecem; Sua vontade revelada nos dará nosso programa de acordo com o qual devemos trabalhar.
Os decretos de Deus não são dirigidos aos homens, mas não diminuem a responsabilidade humana. Talvez Deus tenha decretado uma pequena colheita, mas esta não é razão de não se plantar e cultivar. Talvez Deus decrete uma fome, mas isto não justifica a preguiça. Deus talvez, tenha decretado a morte do autor este ano, mas isto não o impede de cuidar de sua saúde e proteção. Deus decretou a morte de Seu Filho, mas isto não deu aos homens motivo para O crucificarem.
OS DECRETOS DE DEUS E A LIVRE AGÊNCIA (LIVRE ARBÍTRIO)
Os decretos de Deus determinam as livres ações dos homens, isto é, o decreto faz com que estas ações sejam certas, mas não necessárias. Os decretos de Deus não são executados pelo apelo a vontade humana, portanto, não sendo, inconsistentes com o livre agir da liberdade do homem. "Herodes, Pilatos, os gentios, e o povo de Israel se ajuntaram para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer". Atos 4:27.28. O decreto de Deus fez com Cristo morresse, com certeza, mas isto não impunha a necessidade a homem nenhum. Os homens não foram constrangidos a executarem tão horrível obra. Na crucificação do Senhor da glória, eles estavam dando expressão a seus pensamentos e sentimentos para com Ele. Eles estavam cumprindo as Escrituras, e executando o eterno propósito de Deus, sem saberem, "pois, se a conhecessem nunca crucificariam ao Senhor da glória". 1 Coríntios 2:8.
OS DECRETOS DE DEUS SÃO ETERNOS
Se Deus tem qualquer propósito nos acontecimentos do universo, tal propósito teria, por necessidade, ser eterno. Negar este fato é supor que algum evento não previsto fez com que Deus mudasse Seu propósito. Todos os propósitos de Deus foram feitos em sabedoria, e sendo que Ele tem o poder necessário para executá-los, não há motivo para mudanças. "Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras", Atos 15:18. "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e na há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade". Isaías 46:9-10.
VALOR PRÁTICO DA DOUTRINA
Ela magnifica a Deus em toda Sua sabedoria, poder e soberania. Ela O coloca sobre o trono onde deve estar e sempre estará. Não existem crises com Deus, nem problemas perplexos O incomodam, nem forças além de Seu controle. Ele Se move com passos majestosos até a consumação de Seu eterno propósito em Cristo para o louvor de Sua glória. O crente deve se sentir humilde ao ver tão grandioso Deus, e sua alma se encurva em admiração e adoração. A doutrina guardará o crente de uma familiaridade desnecessária para com Deus em oração e em outros atos de devoção. Alguns homens oram como se Deus estivesse no seu nível; para tais Ele não é este ser Augusto de Quem falam as Escrituras. Muitas poesias e outros tipos de literatura que saem desta batalha são desapropriados e meras representações de Deus como um camarada de armas. Mas as Escrituras dizem que "Deus deve ser no extremo tremendo na assembléia dos santos e grandemente reverenciado por todos que O cercam". Salmo 89:7.
Esta doutrina é um daqueles ensinos avançados das Escrituras
que exigem uma mente madura e uma experiência profunda. O principiante
na vida cristã talvez não veja o valor nem mesmo a verdade
desta doutrina, mas com o passar dos anos ela tornar-se-á num cajado
de apoio. Em tempos de aflições, reprovações,
e perseguição, a igreja tem encontrado nos decretos de Deus,
e nas profecias onde se encontram estas doutrinas, uma forte consolação.
É somente sobre este fundamento dos decretos que podemos acreditar
que "todas as coisas são para o bem" (Romanos 8:28) e orar "seja
feita a tua vontade" (Mateus 6:10). A. H. Strong.
CAPÍTULO 5 - A PALAVRA DE DEUS (AS SANTAS ESCRITURAS)
A Cristandade é a religião de um Livro. Sem este Livro, a Cristandade não pode ser perpetuada. Onde não encontramos este Livro, não encontramos marcas de cristandade. A salvação é pela fé em Cristo Jesus, e o povo não pode crer em quem nunca ouviu. Romanos 10:14. A única fonte das boas novas (Evangelho) do Senhor Jesus Cristo, é este Livro. Este livro é a Bíblia, e na sua forma original, é a Palavra de Deus para nós nos dias de hoje. Apague os ensinos da Bíblia do pensamento humano e a Cristandade cairá no esquecimento. A Bíblia é um livro infalível, suficiente e autoritário em todas as questões de fé e prática religiosa. 2 Timóteo 3:16-17.
"Tragam-me o Livro!" clamou Sir Walter Scott quando morria. "Que livro?" foi-lhe perguntado. E este gênio do povo escocês replicou: "Há um só Livro; tragam-me a Bíblia". Quando perguntaram à rainha Vitória em que consistia a grandeza da Inglaterra, ela tomou nas mãos uma cópia das Escrituras e disse: "Este Livro explica o poder da Inglaterra".
AS ESCRITURAS CONTRA A TRADIÇÃO
A palavra para Escrituras no grego é "graphe" e significa "uma escritura" ou qualquer coisa escrita. A expressão "Santas Escrituras" aparece somente uma vez no Novo Testamento, em Romanos 1:2. Entretanto, cada vez que se refere às Escrituras, isto implica as Escrituras Divinas. Geralmente o termo "escrituras" refere-se ao Velho Testamento, porém Pedro fala das epístolas de Paulo como Escrituras. 2 Pedro 3:16.
As Escrituras dos dias de Cristo eram as Escrituras do Velho Testamento. A Bíblia daqueles dias era a "Septuaginta" que era a versão grega do Velho Testamento hebraico. Para o Senhor e para os apóstolos o Velho Testamento era a Palavra de Deus. Este foi o livro que Cristo desafiou os judeus a examinarem. João 5:39. Era a este Livro que Ele se referia em João 10:35, quando disse que "as Escrituras não podem ser anuladas". Este foi o Livro que os bereianos os examinaram para ver se o que Paulo pregava era verdade.
Nosso Salvador afirmou que as "tradições" dos homens eram contrárias às Escrituras. As Escrituras foram verbalmente inspiradas por Deus, enquanto que as tradições eram ensinos passados de uma geração a outra pelos anciãos judeus. Quando os escribas e fariseus acusaram Jesus de transgredir "as tradições dos anciãos", Ele voltou-Se a eles com a pergunta: "Por que transgredis vós também o mandamento de Deus pela vossa tradição"? Mateus 15:2-3. Antes que Saulo de Tarso se tornasse um crente em Jesus Cristo, ele era "extremamente zeloso pelas tradições de seus pais". Gálatas 1:14. Mas quando se tornou crente, renunciou às tradições e voltou-se para as Escrituras. Existem muitas tradições que precisam ser desconsideradas nos dias de hoje — coisas passadas de geração a geração que são contrárias às Escrituras.
REVELAÇÃO E INSPIRAÇÃO
Estas duas palavras não devem ser confundidas. A Palavra de Deus veio aos profetas; isto foi revelação. Inspiração é o método pelo qual a Palavra veio através deles até nós. É pela inspiração que a revelação a eles tornou-se revelação a nós. Sem a inspiração nós não teríamos a revelação, pois a Palavra de Deus não vem hoje a nós como em outros tempos vinha aos antigos. Esta inspiração tem nos dado uma revelação escrita. A Palavra de Deus que nós temos hoje está na forma de um livro, a Bíblia.
"Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça". 2 Timóteo 3:16. Isto não significa que os profetas foram inspirados; inspiração trata com as palavras; as palavras das Escrituras vieram de Deus; elas foram divinamente inspiradas. Não é nosso objetivo entrar em controvérsia a respeito das teorias da inspiração, a não ser dizer que acreditamos na inspiração divina, isto é que cada palavra foi selecionada por Deus, e os homens falavam à proporção que recebiam a revelação do Espírito Santo. Eles não receberam conceitos nem idéias sobre a verdade; eles recebiam palavras da verdade e dirigidos pelo Espírito Santo escreviam estas palavras.
O elemento humano na produção da Bíblia é bem reconhecido... o Livro nos veio através do agente humano, mas o elemento humano não teve permissão de pôr em perigo a precisão e infalibilidade do Livro. A Bíblia é tão exata e infalível quanto se Deus a tivesse escrito sem o agente humano. "Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo". 2 Pedro 1:21.
"Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho". Hebreus 1:1. O Velho Testamento é o registro divino do que Deus disse em diferentes ocasiões e de diferentes maneiras a Israel pelos seus profetas. O Novo Testamento é o registro Divino de que Deus fala através do Filho. A comparação entre os profetas e Cristo é para mostrar um contraste. Deus estava usando os profetas para entregar Sua Palavra a Israel, mas em Cristo era Deus mesmo que estava falando. Os profetas foram muitos; mas o Filho um só. Os profetas eram servos; o Filho era o Senhor. Os profetas temporários; o Filho habita eternamente. Os profetas falaram a palavra; Cristo é a Palavra.
A Bíblia se divide em duas partes, comumente chamados o Velho e o Novo Testamento. Eles não são dois, mas um só livro. No Velho Testamento o Novo está coberto; no Novo Testamento o Velho é esclarecido. No Velho Testamento o Novo está encoberto; no Novo Testamento o Velho é revelado. O Velho é patente no Novo; o Novo é latente no Velho. O Velho é predição; o Novo é cumprimento. Os dois Testamentos têm o mesmo autor: Deus, e o mesmo assunto: Cristo. A mensagem da salvação encontra-se através de toda a Bíblia. Você pode começar em qualquer parte e pregar Jesus. Em ambos os Testamentos está registrado que o Senhor diz: "No rolo do livro está escrito de mim". Salmo 40:7; Hebreus 10:7. E Apocalipse 19:10 diz que o testemunho de Cristo é o espírito da profecia. Martinho Lutero comparou os dois Testamentos aos dois homens que trouxeram o cacho de uvas da terra de Canaã. Ambos carregavam o mesmo fruto; mas aquele que estava na frente não via o fruto, mas sabia que o carregava. O outro via tanto o fruto quanto o homem que ajudava a carregá-lo.Os profetas que vieram antes de Cristo testificavam dEle, mesmo sem vê-lO; e nós, que vivemos desde Sua vinda, vemos tanto os profeta quanto Cristo.
ARGUMENTOS QUE A BÍBLIA É A PALAVRA DE DEUS
1. Há uma pressuposição a favor dela. O homem precisa duma revelação de Deus, e se a Bíblia não é esta revelação; então não temos uma revelação. Certo é que existem outros livros sagrados de outras religiões, mas eles são como os deuses de quem são testemunhas; é óbvio que não são revelações do Deus vivo e verdadeiro. O homem precisa do tipo de revelação que temos na Bíblia. Existe uma revelação de Deus na natureza, mas esta revelação é inadequada; ela não revela bastantes aspectos. A natureza revela Seu eterno poder e Divindade, mas não diz nada de Suas qualidades morais. A natureza nos diz que existe um Deus, mas ela não nos diz que Deus é este. Um selvagem numa ilha isolada qualquer, longe de toda civilização, encontrando um Relógio talvez chegasse a conclusão que ele fora feito por um homem. O impossível seria aprender qualquer coisa a respeito do caráter do fabricante, através de exames feitos no relógio. Do mesmo modo, o homem jamais poderia conhecer o caráter de Deus pelo estudo da geologia, biologia ou astronomia. A Bíblia não tenta provar a existência de Deus, mas ela nos esclarece e fala muito sobre o assunto do que Deus é. Ele é revelado em Seu modo de existir e em suas variadas perfeições morais.
O homem encontra-se no escuro a seu próprio respeito. Ele precisa de uma revelação escrita que diga: o que ele é, de onde velo, e para onde vai. A Bíblia responde a todas as questões em relação ao eterno bem estar da alma humana. Ela convence cada homem de seu pecado e lhe diz como ser salvo. Sim, existe pressuposição a favor da Bíblia. O homem necessita duma revelação; Deus é capaz de dar tal revelação, e a Bíblia é o tipo de revelação que o homem precisa. A Bíblia satisfaz a alma sedenta.
2. A Bíblia reivindica ser a Palavra de Deus. Se a Bíblia não for o que Ela proclama-se ser, é um livro mau. É totalmente incoerente ter a Bíblia como um bom livro, e ao mesmo tempo negar a Sua infalibilidade. Por toda Bíblia encontramos a expressão: "assim diz o Senhor". Esta expressão ou uma de suas equivalentes, é encontrada mais de duas mil vezes no Velho Testamento.
3. O testemunho de Cristo argumenta a favor da veracidade da Bíblia. O Velho Testamento existia em Seus dias, e Ele o aceitou e o citava como sendo a Palavra de Deus. O mesmo livro que frequentemente é atacado pelos críticos, o livro de Deuteronômio, é o livro do qual Cristo faz todas as Suas citações quando tentado por Satanás. Veja Deuteronômio 8:3; 6:16; 6:13, e compare com Lucas 4:4-12.
4. A singularidade da Bíblia atesta sua origem Divina. Ela difere de todos os outros livros. Beber desta fonte da verdade é provar a diferença. Ela é distinta dos demais livros em seus ensinos concernentes a Deus, à criação, ao pecado e à salvação. Diz-se que o homem jamais poderia escrever tal livro mesmo se desejasse, e ele jamais desejaria escrevê-la se pudesse. Qualquer homem honesto e que conhece bastante a respeito da Bíblia, admitirá que Ela jamais poderia ser produto do ser humano.
5. A franqueza com que a Bíblia trata de seus heróis e autores, nos dá bastante evidência que Ela é a Palavra de Deus. As biografias humanas nos dão somente a bela e melhor parte da vida de um homem. Elas exaltam suas virtudes e louvam seus feitos, mas dizem pouco ou nada a respeito das falhas. Mas os personagens da Bíblia são descritos com os fatos da verdade, sejam bons ou maus. A Bíblia não encobre as falhas e faltas de seus personagens.
6. A estupenda unidade da Bíblia é um argumento para sua inspiração. Este é um milagre em si mesmo. Foi escrita em dois continentes; em três línguas; sua composição e compilação estendendo-se através da vagarosa progressão de dezesseis séculos; teve aproximadamente quarenta autores; partes dela escritas em tendas, palácios, cárceres, cidades e desertos; escrita em tempos de perigos e em períodos de júbilo; entre seus autores - juízes, sacerdotes, reis, profetas, ministros, pastores, escribas, soldados, médicos e pescadores; entretanto, mesmo com estas circunstâncias, condições e obreiros tão variados, a Bíblia é um Livro. Ela mantém sua unidade. Existe afinidade entre uma parte e outra. Quanto mais se pondera nesta verdade, mais admirável se torna a Bíblia.
"Imagine quarenta pessoas de diferentes nacionalidades, com diferentes culturas musicais, visitando o órgão de alguma grande catedral e em longos intervalos de tempo, e sem qualquer fraude, tocarem sessenta e seis notas diferentes que, quando combinadas, produzissem um grande tema musical sacro. Tal fato não mostraria que, por trás destas várias pessoas, existia um mestre que presenciava, programava e dirigia a peça? Quando apreciamos uma orquestra que mesmo com tantos instrumentos produz uma melodia harmoniosa, compreendemos que por trás destes diversos músicos existiu o gênio de um compositor. E quando entramos nos corredores da Academia Divina e escutamos os corais celestes que entoam o Hino da Redenção, todos em perfeito acordo e em união, sabemos que é o próprio Deus que escreveu a música e colocou este canto em suas bocas". A. W. Pink
7. As profecias cumpridas dão testemunho da origem Divina da Bíblia. Profecia é a predição de eventos antes que se cumpram. Esta é a prova da revelação Divina. O apelo de Deus ao cumprimento de profecia é notório através da Bíblia. Deuteronômio 18:22; Isaías 41:21-23; e 2 Pedro 1:19-21. Os homens fazem, às vezes, predições gerais concernentes ao futuro, mas a Bíblia contém centenas de profecias, que foram cumpridas literalmente, centenas de anos após serem escritas.
(1) As profecias concernentes a Cristo. Ele é um dos grandes assuntos da profecia. Apocalipse 19:10; Hebreus 10:7. Miquéias predisse Seu lugar de nascimento (Miquéias 5:2). Isaías disse que Sua mãe seria uma virgem (Isaías 7:14). Temos várias profecias de coisas a respeito de Sua morte no Salmo 22 e em Isaías 53. E no Salmo 16:10, encontramos uma profecia sobre Sua ressurreição.
(2) As profecias a respeito dos judeus. Estas como as profecias concernentes a Cristo, são muitas para enumerarmos. Frederico, O Grande, exigiu de um de seus marechais que era crente, prova da verdade da Bíblia numa palavra só. "O judeu" foi a réplica lacônica, irresponsável. A destruição da cidade real, Jerusalém, foi predita anos antes do acontecimento. Leia Mateus 24:1-7; Mateus 25 e Lucas 21 e depois leia o registro da destruição de Jerusalém por Josefus, que estava com Tito em sua campanha e mais tarde escreveu a história do evento. O judeu andarilho tem sido, há anos, um provérbio na história humana; mas fora muito antes profecia divina.
(3) As profecias sobre a Babilônia. Leia Isaías 13:19-22; 14:22-23; Jeremias 50:51. De todas as cidades na profecia à parte de Jerusalém, a Babilônia aparece com mais proeminência. A Babilônia é mencionada em Gênesis e em Apocalipse. Esta cidade é divinamente ameaçada por Isaías, por Jeremias e ainda por João em Apocalipse. Seria proveitoso para o aluno, com sua concordância, ler tudo o que a Bíblia diz em relação à Babilônia.
(4) Uma das partes mais interessantes das profecias trata de Josias, o rei-menino de Judá, que reinou de 637- 608 a. C. Quando Jeroboão encontrava-se ao lado de seu altar para queimar incenso, um profeta desconhecido mandado por Deus, veio de Judá e clamou contra o altar com estas palavras: "Altar, altar! assim diz o Senhor: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que queimam sobre ti incenso, e os ossos de homens se queimarão sobre ti". 1 Reis 13:2. A data desta profecia foi 975 a. C. Aqui temos a predição do nascimento, nome e feito de um futuro rei de Judá, que aconteceu três séculos e meio mais tarde. O cumprimento desta profecia se encontra registrado em 2 Reis 23:15-16: "E também o altar que estava em Betel, e o alto que fez Jeroboão, filho de Nebate, que tinha feito pecar a Israel, juntamente com aquele altar também o alto derrubou; queimando o alto, em pó o desfez e queimou o ídolo do bosque. E, virando-se Josias, viu as sepulturas que estavam ali no monte, e enviou, e tomou os ossos das sepulturas, e os queimou sobre aquele altar, e assim o profanou conforme a Palavra do Senhor, que apregoara o homem de Deus, quando apregoou estas palavras". O cumprimento aconteceu em 624 a. C., ou 351 anos após a profecia ser feita.
ALGUMAS CARACTERÍSTICAS GERAIS DA BÍBLIA COMO REVELAÇÃO DIVINA
1. Ela é um livro religioso. Ela não é um livro didático sobre ciências naturais, mas uma revelação da verdade moral e salvadora. Ela não foi escrita para que os homens soubessem como viver aqui, mas para que se preparassem para o que há de acontecer.
2. A Bíblia é um livro aberto. Suas verdades não são dadas em termos científicos, antes são reveladas na linguagem do povo. Se a Bíblia tivesse sido escrita em linguagem científica do primeiro século ela seria antiquada no vigésimo século. Se tivesse sido escrita na linguagem do século vinte, ninguém a poderia entender salvo em nossos dias. Se na língua científica, somente os entendidos poderiam entender. A Bíblia não foi escrita para os entendidos, antes para os homens. Ela é o "livro dos povos". Ela foi entregue aos santos, não ao papa nem aos sacerdotes. Se a Bíblia se encontra encoberta, o véu jaz sobre o coração humano e não sobre a Bíblia. A melhor qualificação para o entendimento da Bíblia é uma mente sincera, honesta e iluminada pelo Espírito.
3. A Bíblia é um livro prático. Toda Escritura é dada pela inspiração de Deus e é proveitosa. O valor da Bíblia vai além do valor dado pelo ser humano. Este livro veio de Deus e nos conduz a Deus. Sei que Ela veio de Deus pois trata de assuntos além do intelecto humano. A Bíblia mostra o caminho a Deus, e como alguém pode se tornar justo diante da Santa lei de Deus. Ela é o manual da vida e conduta. Não foi dada como adorno à biblioteca, mas como guia da vida. Leia este livro para tornar-se sábio, creia nela para ter segurança e pratique seus ensinos para ser santo. Como alguém disse: "conheça a Bíblia na mente, guarde-a no coração, mostre-a na vida, e semeie-a no mundo".
4. A Bíblia é um livro imortal. Todos os outros livros morrem. Pode-se dizer da Bíblia, o que foi dito de Cristo no Salmo 110:3: ..."desde a madre da alva, tu tens o orvalho da tua mocidade". O tempo não enruga a fronte da Palavra eterna.
A Bíblia está entre os livros mais vendidos do mundo, e ao mesmo tempo é o mais desprezado. Todas as armas do arsenal do inferno já foram usadas contra a Bíblia. Todas as estratégias do império satânico já colaboraram para destruí-la. Mas a Bíblia é um livro vivo e indestrutível. Ela sobreviveu às fogueiras dos pagãos e da Roma papal e a todos "os sofismos dos filósofos opositores". Ela sobreviveu aos argumentos de Ingersoll, o ridículo de Voltaire, e aos raciocínios de Thomas Paine. "Para sempre, Ó Senhor, tua palavra permanece no céu". A Bíblia é como a sarça que Moisés viu queimando mas não se consumia, pois Deus estava nela. É como a bigorna que desgasta todos os martelos.
"Sim, como bigorna sólida, permanecem as Escrituras, é violentamente esmurrada pelas mãos dos pecadores; com ruído e pompa de entendimento fazem grande demonstração. Mas, como o martelo do ferreiro, eles se gastam sobre Ela".
5. A Bíblia é um livro caro. Para nós seu custo não é muito. Entramos numa livraria e pedimos uma Bíblia; pagamos o valor, alguns reais dependendo do preço. Mas é este o preço da Bíblia? Deus em Sua misericórdia fez do livro mais caro, um livro de baixo preço a nós. Nós calculamos o valor de um artigo pelo custo para produzi-lo. A Bíblia é de alto valor em seu aspecto humano. Homens passaram a vida inteira em mosteiros medievais fazendo cópias manuscritas da Bíblia para as gerações futuras. Existem também os mártires que deram a sua vida por amor à verdade, quando um papa ou pagão tentava tirar-lhe uma cópia dela. A Bíblia também representa um custo para Deus. De Gênesis a Apocalipse ela foi escrita com o sangue de Seu Filho. O Velho Testamento é o dedo da profecia que aponta ao Calvário no futuro; o Novo Testamento é o dedo histórico que nos dá um retrospecto ao Calvário. Para escrever a mensagem de amor, Deus teve de quebrar o coração de Seu Filho no madeiro. Em tempos passados a Bíblia era escrita sobre peles de ovelhas e hoje a encontramos no papel. Os pergaminhos nos lembram o Cordeiro imolado, para que Sua pele pudesse vestir o homem e Seu sangue o remisse, e que Sua pele pudesse também levar a mensagem de graça e amor aos perdidos. O papel feito de madeira esmiuçada nos lembra da Árvore da Vida cortada e esmiuçada no Calvário desfigurado além de todos os filhos dos homens... Para que Ele pudesse levar as boas novas do amor de Deus.
METÁFORAS OU SÍMBOLOS DA PALAVRA DE DEUS
Não é somente interessante, mas instrutivo também estudar os símbolos ou figuras sob as quais a Palavra de Deus é estabelecida.
1. Ela é assemelhada a uma lâmpada ou luz. Salmo 19:105, 130; Provérbios 6:23, etc. A Palavra de Deus é moralmente o mesmo que uma lâmpada ao homem fisicamente. Este mundo se encontra num estado de escuridão moral; ignorante de como se tornar justo diante de Deus, mas a Palavra de Deus é a luz, brilhando em um lugar de escuridão, e todo crente se deleita em dizer: "A entrada das tuas palavras dá luz". Salmo119:130.
2. A Bíblia é um espelho. 2 Coríntios 3:18, Tiago 1:25. Isto não pode ser dito de outro livro qualquer. Olho na Bíblia e vejo a mim mesmo, não como penso ser, mas como sou, culpado e destruído. Romanos 3:19. A Bíblia serve para fechar a boca de muita gente. A melhor maneira de parar a jactância de um homem é fazê-lo olhar a si mesmo no espelho da Palavra de Deus.
3. A Palavra de Deus é um lavatório. Efésios 5:26. O mesmo livro que revela a sujeira moral, providencia também o asseio ou banho. "Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a sua palavra". Salmo 119:9. "Vós já estais limpos, pela palavra que tenho pregado". João 15:3.
4. A Bíblia é representada como alimento. Jó 23:12. Todo homem é por natureza um pródigo, longe da casa paterna e perecendo de fome. Na Palavra de Deus encontramos a mesa do evangelho preparada com alimentos que satisfazem a alma. Há leite para os bebês e carne para os crescidos; pão para os famintos e mel para os que podem receber os doces. A alma gorda é aquela que se alimenta da Palavra de Deus.
5. A Palavra de Deus é comparada a um martelo. Jeremias 23:29. A melhor maneira de quebrantar os corações de pedra é citar a Palavra de Deus. Não há coração duro demais para a Palavra, quando tocado pelo Espírito. Ela fez o carcereiro de coração duro exclamar: "Que é necessário que eu faça para me salvar"?
6. A Palavra é chamada a espada do Espírito. Efésios 6:17. Ela é uma arma perfeita para defender o crente de Satanás. E o Espirito Santo sabe como usá-la para penetrar o coração do pecador, matando a sua justiça-própria.
7. A Palavra de Deus é como uma semente. Lucas 8:11. No semear espiritual
como também no semear natural, a semente tem que ser semeada. É
mandado do Senhor que semeemos a Palavra por todo mundo. Devemos semear
ao lado de todas as águas e em todas as estações. "Pela
manhã semeia tua semente, e a tarde não retires a tua mão,
porque tu não sabes qual prosperará se esta, se aquela, ou
se ambas igualmente serão boas". Provérbios 11:6. "Aquele
que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará sem dúvida
com alegria, trazendo consigo os seus molhos". Salmo 126:6.
CAPÍTULO 6 - OS ATRIBUTOS DE DEUS
Pelo termo atributos de Deus, significamos aquelas qualidades e características da natureza divina que são essenciais a Deus como Ser Supremo. Seus atributos são Suas perfeições pessoais sem as quais Ele não seria o Deus vivo e verdadeiro -- O Deus da Bíblia. Os atributos divinos explicam o que Deus é e o que Ele faz.
A maior e a mais importante das ciências é a teologia, a ciência que trata de Deus. O ser de Deus é a base de toda religião. Se não existe um Deus, a religião é uma tolice e um mal. Se Deus não existe, Ele que é o Supremo doador das leis, Governante e Juiz, então o homem não é um ser responsável nem culpável, e consequentemente, a idéia é que: Cada qual faz o que é direito aos seus próprios olhos, e é mestre de seu destino. Se Deus não existe quem "recompensará cada um segundo as suas obras"? Romanos 2:6. Assim cada homem agiria conforme o seu próprio prazer sem temor de retribuição futura.
A religião é verdadeira ou falsa de acordo com a sua maneira de olhar ao conceito do verdadeiro Deus. Religião, derivado de re-ligo, (da língua grega que significa ligar), tem que ter um verdadeiro Deus a quem ela possa se ligar ou então não tem valor. A mera crença num ser supremo não basta. Deus deve ser conhecido em Seus gloriosos atributos e eles são revelados a nós na Bíblia.
NOSSO ESTUDO APROPRIADO
Já se disse que o estudo apropriado da humanidade é o estudo do próprio homem. Mas Jó pensava de outra maneira. Ele diz: "Apega-te, pois, a ele, e tem paz, e assim te sobrevirá o bem". Jó 22:21. Jeremias via o conhecimento espiritual e salvador de Deus como sendo a maior necessidade dos homens: "Assim diz a Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte em sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender, e me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo, e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz a Senhor". Jeremias 9:23-24.
Nosso Salvador disse: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste". (João 17:3. Daniel nos diz que "o povo que conhece ao seu Deus se esforçará e fará proezas". Daniel 11:32. E Spurgeon escreveu que "Nada desenvolveria tanto o intelecto, nada magnificaria tanto a alma do homem, como uma investigação devota e sincera do grande assunto da Divindade". Permitam-nos citar ainda este gênio entre as pregadores: "O estudo apropriado do crente é a Divindade. A ciência mais alta, a especulação mais eminente, a filosofia mais patente que pode atrair a atenção dos filhos de Deus, é a existência do grande Deus a quem chamamos, Pai. Há melhora extraordinária à mente do crente que jaz na contemplação da Divindade. É um assunto tão vasto que todos os nossos pensamentos se perdem na sua imensidão; tão profundo que nosso orgulho se afunda em sua infinidade. Outros assuntos podemos compreender ou tentar entender;neles encontramos um tipo de auto-satisfação e os abandonamos com um pensamento de que somos sábios. Mas quando nos aproximamos desta ciência que não podemos sondar; nem que nossos olhos podem contemplar, nos vem o pensamento de que somos do passado e nada sabemos". (Sermões de Malaquias 3:6).
Um estudo da natureza divina deve ser feito com humildade, cuidado e reverência. Quanto mais aprendemos sobre Deus em Sua Santa Palavra, mais reconhecemos que Ele é incomparável e incompreensível. Surpreendente o dizer do puritano, João Howe: "A noção que podemos ter de Sua glória é comparável a um vasto território do qual formaremos um conceito através de uma pequena vista. Ele nos deu o registro verdadeiro de Si mesmo mas não completo; o que assegurará nossa compreensão do erro mas não da ignorância." O escritor quer dizer que pelo estudo da Bíblia podemos escapar de erros em relação a Deus, mas não da ignorância. A mente finita nunca poderá compreender o Deus infinito. Deus é a verdade mais esmagora de todas.
COMO DEUS É CONHECIDO
Duas coisas são essenciais para o homem conhecer ao verdadeiro Deus. Deve haver uma revelação de Deus e o homem deve ter capacidade de conhecer a Deus. Uma destas sem a outra não é suficiente. A Bíblia nos dá a revelação, e o salvo é o único com a capacidade de compreendê-la. Ambas são produtos da obra do Espírito Santo. A Bíblia foi escrita por homens movidos pelo Espírito e o homem regenerado é nascido do Espírito. Há, portanto, para o crente uma dupla revelação de Deus a revelação na Palavra da verdade e a iluminação pelo Espírito Santo.
Onde a Bíblia ainda não chegou os homens procuram em vão pelo verdadeiro Deus. Jó perguntou: "Porventura alcançarás os caminhos de Deus, ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso"? Jó 11:7. Paulo nos diz em (1 Coríntios 1:21) que "o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria". Isto foi depois das tentativas infrutíferas dos filósofos gregos. Ao perguntarem a um filósofo: "O que é Deus"? ele pediu um dia para pensar no assunto. Ao fim do dia pediu ainda mais tempo. O motivo de seu pedido, disse ele, era que quanto mais considerava a questão mais obscura ela se tornava.
Mas uma simples revelação objetiva de Deus não basta.
Deve haver também uma revelação subjetiva. O Espírito
deve iluminar a alma entenebrecida pelo pecado. Muitos possuem a Bíblia,
mas não conhecem a Deus. Leia e medite em João 3:5; 1 Coríntios
2:14 e Mateus 11:27.
VALOR DO ESTUDO
1. O estudo dos atributos divinos nos livrará de cairmos no erro em muitas doutrinas. Por exemplo, a oposição à verdade de uma punição eterna vem de uma perversão de Sua bondade e uma negação de Sua ira e justiça. A oposição à doutrina de eleição vem dum mal entendimento da graça de Deus, negação da depravação humana, e uma desconsideração pela soberania de Deus.
2. O estudo das perfeições pessoais de Deus dará uma visão justa de Deus. O Deus das multidões não é o Deus da Bíblia. O Deus da imaginação não é o Deus verdadeiro. A. W. Pink fala com duras palavras, mas que acreditamos serem verdadeiras quando ele diz: "O Deus do século vinte assemelha-se tanto ao verdadeiro Deus quanto a luz duma vela assemelha-se ao sol do meio-dia. O ‘deus’ que é pregado em muitos púlpitos, ensinado em muitas escolas dominicais, mencionado em grande parte da literatura religiosa e pregado em muitas conferências é uma invenção da imaginação humana modelada no sentimentalismo. Os pagãos fora da esfera cristã fazem seus ídolos de pedra e madeira, ao passo que milhões de pagãos dentro do cristianismo fazem um deus nas suas mentes carnais. Na verdade são ateus, porque não há alternativa entre o Deus Supremo e a idéia da não existência de Deus. Um Deus que pode ser resistido, cujos desígnios são frustrados, cujo propósito é aniquilado não é Deus. Muito menos pode ser tal deus objeto de adoração".
3. A contemplação de Deus em Seus atributos pessoais promoverá humildade e reverência. Quando Jó recebeu uma visão de Deus ele clamou: "Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza". Jó 42:6. Quando Isaías viu Deus sobre Seu trono Ele clamou: "Ai de mim, que sou um homem de lábios impuros". Isaías 6:5. Quanto melhor a visão obtida de Deus; melhor será nossa visão de nós mesmos. À luz da Sua santidade, podemos ver melhor nossa corrupção. A humildade é o efeito de se ocupar mais com os mais austeros atributos de Deus como: Sua justiça, Sua ira, Sua santidade e Seu poder. Por causa de uma opinião desproporcione do amor de Deus e negligência relação a Sua ira, é que hoje vemos pouca reverência a Deus.
4. Estar ocupado com pensamentos sobre Deus como temos na Bíblia aumentará nossa fé. Muito do que é chamado fé hoje em dia é sentimento ou presunção. A fé deve ser baseada numa revelação verdadeira de Deus, e esta revelação encontra-se na Bíblia. Para se ter uma grande fé é necessário um grande e poderoso Deus. Fé nenhuma pode ultrapassar a idéia que alguém tem de Deus. Não posso ter fé num Deus menor que os próprios homens. Se meu Deus é fraco, minha fé por necessidade corresponderá a esta fraqueza. Como posso ter fé num Deus que está sendo derrotado nas pelejas? Pouca fé terei se creio que meu Deus tenta e não é bem sucedido; ou que Sua vontade é distorcida pela dos homens; ou se creio que Ele está fazendo o melhor para produzir um bem máximo, tentando salvar tantos quantos pode. Mas se como Jó creio que "O que a sua alma quiser, isso fará". Jó 23:13, então posso dizer como o apóstolo Paulo: "Ora àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera". Efésios 3:20.
A QUE TIPO DE DEUS ORAMOS?
Oramos pela conversão de amados, amigos ou mesmo inimigos? Devemos então orar com fé que Deus é capaz de convencê-los e convertê-los. Mas para orarmos com fé temos que acreditar que Ele é Todo-poderoso e que nada é difícil para Ele. Temos que crer que Deus é irresistível quando opera em Sua graça ou mesmo em justiça; para a salvação ou julgamento.
Como Isaque Watts temos que dizer: "Sua palavra de graça é forte, como aquela que fez os céus. A voz que impulsiona as estrelas, a proclama do alto".
E que a graça seja concedida ao autor e leitor para dizermos como Filipe Doddridge: "A graça guia meus pés vagantes aos caminhos celestiais. E novas forças recebo no caminho ao nosso Deus".
CLASSIFICAÇÃO DOS ATRIBUTOS
Os atributos divinos são distinguidos de várias maneiras
pelos teólogos. Talvez a melhor classificação seja
aquela que os divide em comunicáveis e incomunicáveis. Os
atributos comunicáveis são aqueles que Deus, em alguma medida,
comunica ou dá ao homem, como; poder, sabedoria e santidade. Os incomunicáveis
são qualidades que pertencem exclusivamente a Deus, como: infinidade,
independência e imutabilidade. Estas qualidades são as que
distinguem o Criador da criação.
CAPÍTULO 7 - A INFINIDADE DE DEUS
Infinidade, quando aplicada a Deus, significa que Ele é livre, ilimitado, insondável, imensurável, incomparável e incompreensível. Estas são grandes palavras, tanto no tamanho quanto no significado, e palavras grandes são necessárias para a descrição dum tão grande e glorioso Deus. Deus é tão grande que todos os habitantes da terra são comparados ao nada quando colocados ao Seu lado. Daniel 4:35. Deus é infinito em todos os Seus atributos. A infinidade contrasta Deus com Suas criaturas. Deus é infinito; o homem é finito. A infinidade de Deus apresenta-se principalmente em Sua onipresença e Sua eternidade. Deus não é limitado pelo espaço, portanto Ele está em toda parte; nem pelo tempo, portanto Ele é eterno.
SUA ETERNIDADE
A infinidade de Deus quanto à duração é que chamamos de eternidade. Ele não tem princípio nem fim. Este atributo faz parte de cada uma das três pessoas, as quais têm uma natureza comum e indivisível. Ele é eterno seja no passado ou no futuro. A natureza de Deus não está sujeita à lei do tempo. Deus não está no tempo, o tempo é Deus. Deus fez o tempo existir. Não há sucessão de tempo quanto a Deus; para Ele, o passado, o presente e o futuro são "um eterno agora". Por este motivo é dito que ao Senhor um dia é como mil anos e mil anos como um dia. 2 Pedro 3:8.
Já se afirmou que Deus não é mais antigo hoje do que nos dias de Davi, ou mesmo quando o mundo foi criado; pois o tempo não faz mudanças nEle. Ele é chamado: "O ancião de dias" em Daniel 7:13, mas não ancião em dias.
Ele não tem fim. Isto não é difícil de compreender. Nós pensamos que o homem vai existir para todo sempre, portanto é fácil acreditar nisto em relação a Deus. É óbvio que aquilo que não tem princípio também não terá fim.
Ele não tem princípio. Neste ponto Deus é incompreensível. Quer possamos conceber ou não tal noção de vida sem princípio, somos forçados a atribuir este tipo de existência a Deus. Isto pode ser provado:
1. Através de Sua auto-existência. A existência de Deus ou é arbitrária ou necessária. Se arbitrária, ela deve vir de Sua própria vontade ou da vontade de outro. Se de Sua própria vontade, isto presumiria Sua existência prévia, o que seria uma contradição. Se Sua existência é da vontade de outro, este seria anterior e superior e, portanto, seria Deus, o que envolveria outra contradição. Deus, portanto, tem que existir. "Antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá". Isaías 43:10.
2. Que Deus não tem princípio pode ser provado através de Sua imutabilidade. Se Deus não é eterno, Ele teve de passar da não existência ao estado de existente, e isto implicaria mudança. "Mas Tu és o mesmo, e teus anos não têm fim". Salmos 102:27.
3. A eternidade de Deus pode ser provada através de Seus atributos, dos quais muitos são eternos. Seu poder é claramente declarado eterno. Romanos 1:20. Sua sabedoria é eterna. Atos 15:18. Sua misericórdia dura para todo o sempre. Salmo 103:17. Seus propósitos são eternos. Efésios 3:11. Seu amor é chamado de eterno. Jeremias 31:3.
4. A eternidade de Deus pode ser provada através de Seu concerto de graça que segue o estilo dum concerto eterno. 2 Samuel 23:5. É chamado de concerto eterno não somente por Sua existência imutável e eterna, mas porque Ele é desde a eternidade. As vezes Ele é chamado de "novo concerto" não por ser feito de novo, mas porque é continuamente novo; Ele não envelhece.
5. O nome incomunicável de Deus é Jeová, que significa "O Existente". Veja Salmo 83:18. Deus existe natural e necessariamente; o que significa que não há causa para Sua existência. Ele é a primeira e grande causa. Ele é o mesmo hoje e será sempre. Não existem rugas na fronte do Deus eterno. Não há debilidade de velhice com Deus.
SUA ONIPRESENÇA
Isto significa que Deus está em toda parte. Ele não é limitado pelo espaço. O perverso não escapa dEle nem o justo se separa dEle. Isto pode ser provado:
1. Através de Sua força, que se encontra em toda parte, como aparece na criação e na providência. Hebreus 1:3.
2. Através de Seu conhecimento. Hebreus 4:13. Provérbios 15:3.
A presença de Deus pode ser considerada de diversas maneiras. Ele não está presente em toda parte no mesmo sentido ou maneira. Sua presença gloriosa está no céu, onde Ele Se apresenta aos anjos e aos espíritos dos justos aperfeiçoados. Sua presença poderosa e de providência está com todas as Suas criaturas, sustentando-as pela palavra de Seu poder. Sua presença graciosa está com Seu povo, regenerando, santificando, confortando e abençoando. Sua presença de ira está no inferno, infligindo punição sobre os perversos. Salmo 139:8.
A onipresença de Deus é claramente revelada no Salmo l39. Este fala de Sua presença essencial. Tão imenso é Deus que mesmo o céu dos céus não O pode conter. 1 Reis 8:27. "Assim diz o Senhor, o céu é o meu trono e a terra o escabelo dos meus pés". Isaías 66:1.
OBJEÇÕES À ONIPRESENÇA DE DEUS
Como objeções já se tem argumentado que Caim saiu da presença do Senhor (Gênesis 4:16), e que Jonas fugiu da presença de Deus (Jonas 1:3). Mas replicamos que Caim somente saiu do lugar de adoração a Deus onde a Sua presença graciosa foi manifestada. E Jonas estava fugindo do serviço do Senhor, pensando de modo tolo, que poderia escapar de sua responsabilidade. Mas logo ele descobriu que Deus estava em toda parte e podia encontrá-lo tanto no mar como na terra.
O Deus com quem lidamos não tem limitações. Um dos pecados imputados a Israel foi o de limitar o Santo de Israel (Salmo 78:41), isto é, eles pensavam existirem coisas que eram demais para Ele. Limitaram-nO em seus pensamentos e na falta de fé.
Não há crises para Deus nem lugar secreto a Ele. Todas as coisas estão nuas diante dEle. Não se pode esconder de Sua presença, nem fugir quando Sua ira se acende e quando Ele executa Seu julgamento.
Que possamos dizer com o salmista: "Sonda-me ó Deus, e conhece o
meu coração; prova-me, e conhece meus pensamentos. E vê
se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno". Salmo
139:23-24.
CAPÍTULO 8 - A INDEPENDÊNCIA DE DEUS
Deus é o único Ser independente. Falamos dos ricos como sendo independentes, mas na realidade nenhuma criatura é independente. O dicionário nos define a palavra independente como: "Não dependente; livre; não sujeito aos controles externos; não subordinado; aquele que governa a si mesmo; soberano; não condicionado", etc. Deus é o único Ser de quem estas coisas podem ser ditas em sentido absoluto.
A independência de Deus não exclui o Seu uso de Suas criaturas na execução de Sua vontade, mas significa que Ele não depende delas; Ele não tem obrigação de usá-las. A expressão: "Deus está dependendo de nós", faz Deus mais fraco do que nós. Deus nos usa na propagação de Sua causa, mas o que Ele faz através de nós poderia facilmente ser feito sem nós. Deus não deriva sabedoria ou poder algum de Suas criaturas. "Porque quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a Ele, para que lhe seja recompensado"? Romanos 11:34-35.
Paulo diz que nós temos o evangelho: "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós". 2 Coríntios 4:7. O evangelho é proclamado por lábios de barro, mas o poder da salvação não está no que fala, mas na demonstração do poder do Espírito, para que a fé do pecador não seja resultante da sabedoria do homem, mas do poder de Deus. 1 Coríntios 2:4-5. A fé não é resultado do poder persuasivo do homem; mas fruto do Espírito. Gálatas 5:22. O novo nascimento não resulta da vontade do homem, ou da carne, (João 1:13), mas da vontade de Deus (Tiago 1:18). O sucesso no ministério de Deus não depende do pregador; mas o pregador depende de Deus.
A FAZENDA MALTRATADA
Conta-se a história dum homem que comprou uma fazenda em estado precário. Por três anos a cultivou e conseguiu produzir as necessidades básicas. Um dia um pastor lhe fez uma visita. Enquanto os dois passeavam pela fazenda o fazendeiro ia mostrando uma e outra plantação frutífera. O pastor fez então a observação de que Deus e o fazendeiro pareciam ser parceiros nos negócios. Quando o pastor se despedia, o fazendeiro disse: "Concordo que Deus é meu parceiro nos negócios. Concordo com cada palavra. Mas pastor, eu queria que o senhor visse este lugar quando Deus estava fazendo tudo sozinho"! Esta piada não tem lugar na vida cristã, pois ensina que Deus dependia do fazendeiro para cultivar a terra. Aquela fazenda no seu estado inicial não era demonstração do que Deus faz, mas sim uma mostra do que o mal uso pode fazer ao que Deus nos dá. Os espinhos, abrolhos e o mato que havia crescida ali na fazenda eram lembretes do pecado. Não demonstravam o que Deus pode produzir mas o que o homem merece. Deus fez a terra frutífera e boa; o pecado causou a abundância de espinhos e plantas daninhas. Uma fazenda infrutífera não representa o melhor que Deus pode fazer. Deus usou o fazendeiro ao produzir boas colheitas, mas Ele não dependia dele.
Moisés advertiu Israel do perigo de dizer: "A minha força, e a fortaleza da minha mão, me adquiriu este poder". Deuteronômio 8:17-18. Nosso Salvador também nos ensinou a orar: "O pão nosso de cada dia nos dá hoje". Mateus 6:11.
Deve haver um modo de ensinar a verdade da responsabilidade do homem, sem produzir orgulho na criatura e sem destronar a Deus. Não devemos pregar uma verdade à custa de outra. O homem é uma criatura responsável. Ele é responsável às ordens de Deus. O homem é responsável para trabalhar para ganhar seu pão, mas mesmo após todo o trabalho, ele depende de Deus para isso. Nenhum homem capaz de trabalhar deve esperar o seu pão sem ser através do trabalho; não porque Deus não pode dar-lhe o pão sem trabalho, mas porque Deus não recompensa a preguiça. Que Deus tem poder de alimentar os homens sem os seus esforços se vê na queda do maná no deserto, e quando sustentou Elias com a ajuda dos corvos. Deus não Se encontra assentado num trono precário, nem necessita de empréstimos.
Para melhor estudarmos a independência de Deus iremos dividir o assunto em duas partes: Auto-existência e Auto-suficiência.
DEUS É AUTO-EXISTENTE (EXISTENTE POR SI MESMO)
Todo ser deve ter base para sua existência, dentro ou fora de si mesmo. A base da existência humana é exterior; o homem não faz a sua própria existência. O homem é dependente de algo fora de si mesmo para existir, mas Deus não é dependente assim. Certo é que não compreendemos a auto-existência de Deus; é demais para o entendimento da mente finita. Mas uma pessoa que é auto-existente não é um mistério tão grande para compreendermos quanto a auto-existência de uma coisa, como Herbert Spencer, pensa que é nosso universo. É mais fácil ver como a matéria se deriva da mente do que ver como a mente é derivada da matéria. A base da existência de Deus não jaz na Sua vontade; mas em Sua maneira de ser. Ele não quis existir pela Sua vontade; Sua natureza é existir. Ele existe natural e, portanto, necessariamente.
DEUS É AUTO-SUFICIENTE
O Ser auto-existente tem por necessidade ser auto-suficiente. Deus é auto-suficiente em Seu sustento, Sua glória e em Seu prazer. "Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém". Romanos 11:36. Deus contém em Si mesmo todas as excelências, perfeições e alegrias.
É bem necessário distinguir entre o que Deus é em Seu ser existencial, e o que a criação declara que Ele é. "Os céus declaram a glória de Deus", (Salmo 19:l), mas não acrescentam nada a Ele. Os homens devem atribuir glória a Deus em seu comer e beber (1 Coríntios 10:31), mas isto nada lhe adiciona, antes é um simples reconhecimento dela. Em Juízes 5:23, temos esta expressão, "porquanto não vieram ao socorro do Senhor", mas isto não indica que Deus precisava da ajuda homem, mas que é obrigação do homem servir a Deus. Salmo 78:41 diz que Israel limitou o Santo de Israel, mas isto somente implica na atitude de desconfiança de Israel. Eles agiam como se Deus não tivesse o poder de cuidar deles durante a peregrinação no deserto. Ainda mais, eles O limitaram em Sua autoridade, isto é, agiam como se Deus não tivesse o direito de dar ordens. Com sua murmuração mostraram seu desprazer pelas providências de Deus. Na mesma passagem lemos que eles tentaram a Deus, isto é, agiam de maneira como se Deus pudesse ser tentado. Em sua descrença colocaram Deus à prova.
DEUS É ESSENCIALMENTE BENDITO
Ele é chamado de Deus bendito ou bem-aventurado em 1 Timóteo 1:11, 6:15. Esta felicidade não pode ser aumentada nem diminuída. O pecado merece e recebe seu desprazer, mas isto não destrói Sua felicidade. A retidão em Suas criaturas morais recebe Sua aprovação, mas não acrescenta nada à sua felicidade e glória essencial. Ele era feliz e glorioso antes de existir qualquer criatura e Ele continuará em Sua felicidade mesmo quando o inferno estiver cheio de perversos. A alegria de Deus baseia-se sobre três fatos:
1. Não há conflito moral com Deus. Ele está em paz consigo mesmo. Deus é infinito em sabedoria e, portanto, não passa tempo lastimando Seus erros. Ele é infinito em santidade e, portanto, não conhece remorso pelo pecado. Mesmo existindo três pessoas na Divindade, Elas formam uma união absoluta e vivem em perfeito acordo. A paz é o grande desejo da raça humana, mas ela pertence principalmente a Deus. Ele é chamado o Deus de paz. Hebreus 13:20. E existe harmonia perfeita entre todos os Seus atributos. "A misericórdia e a verdade se encontraram: a justiça e a paz se beijaram". Salmo 85:10.
2. Deus não conhece limites. Ele nunca chega ao fim. Seus recursos jamais se acabam. Nunca Ele Se encontra em estado de emergência. Ele nada conhece de crises. Ele nunca apela a novos negócios, pois Seus planos e propósitos são eternos. A sabedoria fez todos os Seus planos e Seu poder os executa, portanto, todas as Suas obras já lhe eram conhecidas antes da fundação do mundo. Nunca existiu um tempo quando Deus duvidasse do que faria ou do que poderia fazer. Ele não tem um laboratório experimental onde pode aprender o que é melhor, pois sabe naturalmente o que é melhor. Em todos estes pontos, o homem se contrasta grandemente com Deus. Muitas vezes nosso saber chega ao fim. Somos limitados em poder e sabedoria. Temos limites de tempo, mas Deus é o Rei da eternidade. Josué quis mais tempo no dia para terminar sua obra, e Deus prolongou o dia. Napoleão, em Waterloo, viu caírem as sombras da noite sobre seu exército derrota